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Putin ensaia mudanças que lhe permitiriam ficar no poder até 2036

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O presidente tem a obrigação constitucional de deixar o cargo em 2024, quando seu quarto mandato presidencial e segundo consecutivo termina

Presidente da Rússia, Vladimir Putin: a medida, se adotada e aprovada em um plebiscito nacional em abril, habilitaria Putin a cumprir mais dois mandatos seguidos de seis anos, (Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin via/Reuters)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, abriu nesta terça-feira a porta para mudanças constitucionais que lhe permitiriam ficar no poder até 2036, apesar de dizer que tem receio das emendas.

Putin, que em janeiro revelou uma grande reformulação da política russa e uma reforma da Constituição, tem a obrigação constitucional de deixar o poder em 2024, quando seu quarto mandato presidencial e segundo consecutivo termina.

Mas ao falar nesta terça-feira à Duma, a câmara baixa do Parlamento, Putin deu o que insinuou ser sua bênção relutante a uma proposta de mudança constitucional que zeraria formalmente sua contagem de mandatos presidenciais.

“A proposta de retirar as restrições para qualquer pessoa, incluindo o presidente atual… em princípio, esta opção seria possível, mas com uma condição – se o tribunal constitucional der um parecer oficial de que tal emenda não contraria os princípios e as cláusulas principais da Constituição”, disse Putin.

A medida, se adotada e aprovada em um plebiscito nacional em abril, habilitaria Putin a cumprir mais dois mandatos seguidos de seis anos, até 2036, quando estaria com 83 anos.

Hoje com 67 anos, o ex-agente da KGB também já foi primeiro-ministro da Rússia, dominando a paisagem política do país há duas décadas.

Críticos o acusam de tramar para usar mudanças na Constituição para se manter no poder depois de 2024. Putin não delineou quais são seus planos depois desta data, mas disse que não é favorável à prática dos tempos soviéticos de manter líderes no poder até a morte.

 

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China registra o crescimento demográfico mais lento em décadas

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Na comparação com o censo de 2010, a população chinesa aumentou 5,38% em 10 anos (0,53% em média por ano), o avanço mais lento desde a década de 1960

China pode perder o título de maior população do planeta mais rápido que o previsto (Patrick BAERT/AFP).

A China tem cada vez mais aposentados em comparação com os trabalhadores ativos. Durante os últimos 10 anos, a população do país registrou o crescimento mais lento em décadas e em breve a nação deve ser superada pela Índia em número de habitantes.

O país de maior população do mundo tinha oficialmente 1,411 bilhão de habitantes no fim do ano passado, anunciou Pequim nesta terça-feira (11) ao divulgar os resultados do censo decenal.

Na comparação com a pesquisa de 2010, a população chinesa aumentou 5,38% em 10 anos (0,53% em média por ano), segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. Este é avanço mais lento desde a década de 1960.

Com este ritmo, o país pode perder o título de maior população do planeta mais rápido que o previsto. A Índia deveria registrar em 2020, segundo estimativas da ONU, 1,38 bilhão de habitantes.

A população da Índia cresce na média de 1% por ano, segundo um estudo divulgado ano passado por Nova Délhi.

A China já havia divulgado uma previsão de que a curva de crescimento populacional deve atingir o pico em 2027, quando a Índia superaria o vizinho. A população chinesa começaria, então, a diminuir, até chegar a 1,32 bilhão de habitantes em 2050.

O porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Ning Jizhe, confirmou que o país se aproxima do “pico”, mas não antecipou uma data. A população deve ser superior a 1,4 bilhão “durante um certo tempo”, se limitou a declarar.

A influência da covid-19

A queda da taxa de natalidade tem várias razões: diminuição do número de casamentos, o custo da habitação e da educação, a gravidez mais tardia das mulheres que priorizam a carreira, entre outras.

No ano passado, marcado pela epidemia de covid, o número de nascimentos caiu a 12 milhões, contra 14,65 milhões em 2019, ano em que a taxa de natalidade (10,48 por 1.000) já estava no menor nível desde a fundação da China comunista em 1949.

A epidemia “aumentou a incerteza da vida cotidiana e a preocupação com o nascimento de um filho”, reconheceu Ning.

O regime comunista recorda constantemente que erradicou em grande medida a epidemia, que surgiu no fim de 2019 na região central do país.

Em 2016 o país flexibilizou a política do filho único, permitindo que todos os chineses tenham o segundo filho. Mas a medida não serviu para estimular a taxa de natalidade, o que leva algumas pessoas a pedir o fim do limite de duas crianças por família.

Os demógrafos advertem que o país pode registrar o mesmo fenômeno do Japão e Coreia do Sul (com excesso de idosos em comparação com o número de jovens e trabalhadores).

Em março, o Parlamento aprovou um plano para aumentar progressivamente a idade de aposentadoria durante os próximos cinco anos.

Explosão de migrantes internos

De acordo com os resultados do censo, no ano passado o país tinha mais de 264 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, uma população que representa 18,7% do total do país, ou seja um aumento de 5,44% na comparação com 2010.

A população em idade ativa (15 a 59 anos) representa 63,35% do total, 6,79% a menos que na década passada.

“O maior envelhecimento da população exerce uma pressão contínua sobre o equilíbrio demográfico a longo prazo”, admite o Escritório Nacional de Estatísticas.

Outro dado reflete os desequilíbrios potenciais: a população “flutuante” de migrantes internos. Estas pessoas de zonas rurais que trabalham em cidades com pouca proteção social chegaram no ano passado a 376 milhões, um aumento de quase 70% em uma década.

A publicação do censo foi adiada em várias semanas, o que alimentou a ideia de que os números seriam ruins para o regime comunista.

No fim de abril, o governo desmentiu informações da imprensa de que a China anunciaria a primeira redução da população desde a grande fome do fim dos anos 1950, que provocou dezenas de milhões de pessoas.

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Tiroteio deixa pelo menos 11 mortos em escola na Rússia

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O ataque foi feito por dois atiradores. Um deles, um adolescente, acabou detido e o outro morreu no confronto com a polícia

Ao menos 20 ficaram feridas após ataque em uma escola na cidade de Kazan (Roman Kruchinin/AFP).

Ao menos 11 alunos morreram nesta terça-feira (11) em um tiroteio em uma escola de Kazan, cidade na região central da Rússia, onde as forças de segurança prenderam um jovem de 19 anos apontado como o atirador.

Outras 20 pessoas, 18 crianças e dois adultos, foram hospitalizadas, informaram as autoridades regionais à AFP. “Seis menores de idade se encontram em estado grave e na UTI”, disse o porta-voz do governo local, Lazat Jaydarov.

Imagens divulgadas por testemunhas nas redes sociais mostram crianças e adolescentes pulando pelas janelas do edifício de três andares para fugir do tiroteio.

Outras imagens mostram pessoas ensanguentadas recebendo atendimento médico.

Os serviços de emergência, citados pelas agências TASS e Ria Novosti, afirmaram que 11 pessoas morreram – nove alunos – e 32 ficaram feridas.

“O agressor foi detido e sua identidade foi estabelecida. É um morador local, nascido em 2001”, afirmou o Comitê de Investigação da Rússia em um comunicado.

Uma investigação foi iniciada por “assassinato e as autoridades descartam no momento uma motivação de natureza “terrorista”, destaca a nota.

O presidente russo, Vladimir Putin, expressou pêsames às famílias das vítimas e ordenou uma revisão às regras de porte de armas no país, informou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

Este é o tiroteio mais grave em uma escola da Rússia desde 2018, onde este tipo de tragédia é relativamente raro e onde o controle de armas é estrito.

Os incidentes violentos com estudantes, no entanto, aumentaram nos últimos anos.

O detido pelo tiroteio desta terça-feira tem 19 anos, informou Rustam Minnikhanov, presidente de Tatarstan, a república muçulmana russa que tem Kazan como capital.

“Ele tinha permissão para o porte de arma”, disse Minnikhanov.

O jovem iniciou o ataque às 9H30 (3H30 de Brasília). Ele abriu fogo contra os alunos da escola N° 175, que, segundo informações oficiais, tem 1.049 estudantes e 57 funcionários.

De acordo com as agências Interfax, Ria Novosti e TASS, um segundo criminoso foi morto, mas o Comitê Nacional Antiterrorista e as autoridades locais não mencionaram outro suspeito.

“Ouvimos uma explosão dentro da escola e observamos muita fumaça”, disse uma testemunha, citada pela Ria Novosti.

“Estava na aula, ouvi uma explosão e depois tiros”, disse uma professora.

Kazan, cidade de mais de 1,2 milhão de habitantes, fica 700 quilômetros ao leste de Moscou.

 Casos precedentes

O tiroteio recorda o de outubro de 2018, quando um estudante do Ensino Médio matou 19 pessoas antes de cometer suicídio em uma escola de Kerch, cidade da outrora península ucraniana da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.

Na época, Putin atribuiu o massacre à “globalização”, ao afirmar que o fenômeno dos tiroteios em escolas tem origem nos Estados Unidos.

As autoridades também afirmaram ter frustrado nos últimos anos dezenas de planos para atacar escolas, casos que geralmente envolvem adolescentes.

Em fevereiro de 2020, o Serviço Federal de Segurança (FSB) prendeu dois jovens, nascidos em 2005 e de nacionalidade russa, que postavam em vários sites textos que defendiam os assassinatos e suicídios.

De acordo com os investigadores, os dois planejavam atacar uma escola em Saratov, no Volga.

Outros tiroteios abalaram em Rússia, vários em instalações militares. Em novembro de 2020, três soldados foram assassinados por um colega na região de Voronezh (oeste).

Um ano antes, oito pessoas foram assassinadas por um colega em uma base militar siberiana.

Outro caso aconteceu em dezembro de 2019, quando um homem atacou a tiros a sede do FSB em Moscou e matou dois agentes.

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Índia tem nova alta na média de casos de Covid; OMS vê perigo global

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A Índia registrou 329.942 casos e 3.876 mortes por covid-19 em 24 horas

Variante indiana de covid é digna de preocupação global, diz OMS (Sumit Dayal/Bloomberg)

 A crise de coronavírus da Índia mostrou poucos sinais de abrandamento nesta terça-feira, quando uma média de sete dias de casos novos atingiu uma nova alta e autoridades de saúde internacionais alertaram que a variante do país representa um perigo global.

O número diário de casos de coronavírus da Índia aumentou em 329.942, e as mortes da doença aumentaram em 3.876, de acordo com o Ministério da Saúde. O total de infecções de coronavírus do país está agora em 22,99 milhões, e o total de mortes subiu para 249.992.

A Índia é a líder mundial no número diário médio de novas mortes relatadas, respondendo por um de cada três óbitos anunciados a cada dia no mundo, segundo uma contagem da Reuters.

A média de sete dias de casos novos atingiu uma alta recorde de 390.995.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a variante de coronavírus identificada primeiramente no país no ano passado está sendo classificada como uma variante digna de preocupação global, e estudos preliminares mostram que ela se dissemina mais facilmente.

“Nós a classificamos como uma variante preocupante em nível global”, disse Maria Van Kerkhove, autoridade técnica da OMS em Covid-19, em uma entrevista coletiva. “Existe alguma informação disponível que indica uma transmissibilidade acentuada.”

Nações de todo o globo enviam cilindros de oxigênio e outros equipamentos médicos para aliviar a crise indiana, mas muitos hospitais de toda a nação estão sofrendo com uma escassez de equipamentos que salvam vidas.

Onze pessoas morreram na noite de segunda-feira em um hospital governamental de Tirupati, uma cidade de Andhra Pradesh, um Estado do sul, devido a um atraso na chegada de um caminhão-tanque com oxigênio, disse uma autoridade de governo.

“Houve problemas com a pressão do oxigênio devido à baixa disponibilidade. Tudo aconteceu em um intervalo de cinco minutos”, disse M Harinarayan, principal autoridade do distrito, na noite de segunda-feira, acrescentando que agora o hospital SVR Ruia tem oxigênio suficiente.

Dezesseis membros de departamentos e vários professores e funcionários aposentados que estavam morando no campus da Universidade Muçulmana Aligarh, uma das mais prestigiosas da Índia, morreram de coronavírus, informou a escola.

Para piorar o fardo sobre as instalações médicas, o governo indiano orientou os médicos a procurarem sinais de mucormicose, ou “fungo negro”, em pacientes de Covid-19, já que hospitais relatam um aumento de casos da infecção rara, mas potencialmente fatal.

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Covid na Índia: três efeitos para o Brasil do descontrole da pandemia no país asiático

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As consequências do descontrole da pandemia no segundo país mais populoso do mundo vão muito além das fronteiras indianas, com reverberações em todo o planeta – e podem ser particularmente sentidas no Brasil, ainda fragilizado por uma segunda onda de covid-19

Índia tem registrado mais de 300 mil novos casos de covid-19 por dia na última semana

Índices nunca vistos antes de contaminação por covid-19 e cenas de desespero diante do colapso da rede de saúde colocam a Índia como novo foco da atenção global na luta contra o novo coronavírus, provocando uma onda de reações internacionais.

Nas últimas 24 horas até esta quarta-feira (28/4), a Índia registrou um recorde mundial de novos casos de covid: 360,9 mil, depois de uma semana inteira registrando mais de 300 mil novos casos por dia.

Também nesta quarta, o país se tornou o quarto do mundo a superar a marca dos 200 mil mortos pela doença (junto com EUA, Brasil e México), mas há indícios de que esses números sejam, na verdade, muito maiores, em um país de 1,3 bilhão de habitantes que não conta com um sistema estruturado de saúde pública.

Apenas em Nova Déli, uma investigação de uma emissora local identificou mais de mil mortes por covid-19 que não foram registradas, no intervalo de uma semana.

Repetindo o caos visto recentemente no Brasil, hospitais de diversas partes da Índia estão rejeitando pacientes por não terem mais leitos nem suprimento de oxigênio. Lá, até fogueiras estão sendo improvisadas para cremar os mortos.

As consequências do descontrole da pandemia no segundo país mais populoso do mundo vão muito além das fronteiras indianas, com reverberações em todo o planeta – e podem ser particularmente sentidas no Brasil, ainda fragilizado por uma segunda onda de covid-19 que não terminou e pelos índices insuficientes de vacinação.

A seguir, a BBC News Brasil aponta três desdobramentos diretos e curto prazo da crise indiana.

Aquece a disputa global por vacinas

A situação calamitosa na Índia é apontada como um motivo-chave da pressão sobre o presidente dos EUA, Joe Biden, para finalmente abdicar de um lote de vacinas que vinha sendo cobiçado por vários países, inclusive pelo Brasil.

Cremações em massa na Índia sendo realizadas para vítimas de covid-19

Reuters
Cremações em massa na Índia sendo realizadas para vítimas de covid-19; colapso no país deve drenar recursos e suprimentos, inclusive alguns ainda necessários no Brasil

Na segunda-feira (26/04), representantes do governo americano anunciaram que vão doar suas 60 milhões de doses do imunizante Oxford-AstraZeneca que estarão em produção pelos próximos meses (e que ainda não têm autorização para serem aplicadas nos EUA).

A partilha das doses ainda não foi definida, segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki. Mas fontes próximas ao governo indiano ouvidas pela agência Reuters afirmaram que o país está na expectativa de receber a maior parte desse lote.

Tanto o Brasil quanto países como Canadá e México haviam feito pedidos aos EUA, nos últimos meses, para receber essas vacinas, mas não se sabe até o momento se ficarão com alguma parcela delas.

Ao mesmo tempo, o agravamento da situação na Índia pode levar o país asiático a repetir o que fez em março, quando barrou temporariamente parte de sua exportação de vacinas para disponibilizar mais doses para sua população. Nesta quarta, a corrida pela imunização deve aumentar: as autoridades anunciaram que todos os indianos com mais de 18 anos podem se cadastrar para receber a vacina.

Por enquanto, menos de 9% dos indianos foram imunizados com ao menos uma dose.

A Fiocruz confirmou à BBC News Brasil que ainda aguarda um lote de 8 milhões de doses vacinas da AstraZeneca sendo produzidas pela empresa indiana Instituto Serum, mas afirmou que as negociações em torno da entrega estão sendo conduzidas pelas diplomacias dos dois países.

A BBC News Brasil tentou contato com o Instituto Serum e com a assessoria de imprensa do Itamaraty, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado se essas respostas chegarem.

Frasco da vacina AstraZeneca

Reuters
Lote de vacinas AstraZeneca dos EUA cobiçado pelo Brasil deverá ser doado ao mundo – mas Índia provavelmente terá prioridade

Mais demanda por equipamentos e medicamentos ainda escassos

Diversos países anunciaram, nos últimos dias, a entrega de suprimentos médicos para ajudar a conter o colapso indiano.

Nesta terça (27/04), chegou à Índia um carregamento de itens como cilindros de oxigênio e respiradores enviados pelo Reino Unido.

No final de semana, o governo americano anunciou que também liberaria ajuda aos indianos – desde matéria-prima para a produção de vacinas (que até recentemente estavam sob um veto de exportação imposto pelos EUA, para garantir sua produção interna de vacinas) até medicamentos, equipamentos de proteção pessoal e testes de covid-19.

“Os EUA estão trabalhando proximamente ao governo indiano para rapidamente enviar apoio e suprimentos adicionais durante este alarmante surto de covid-19”, escreveu no Twitter a vice-presidente Kamala Harris.

 

Mas a ajuda até agora foi classificada como “uma gota no oceano” diante das necessidades da Índia, nas palavras de uma autoridade local de saúde ouvida pela BBC, indicando que continuará subindo a demanda internacional por produtos cuja cadeia de suprimento foi profundamente afetada pela pandemia.

Basta lembrar as dificuldades que o Brasil enfrentou recentemente para obter no mercado externo insumos para a produção do chamado “kit intubação”, forçando algumas equipes hospitalares a fechar leitos ou a intubar pacientes sem poder sedá-los com medicamentos adequados – algo considerado desumano pelos próprios médicos.

O uso desses insumos continua alto no Brasil, que registrou na última semana epidemiológica mais de 400 mil casos de covid-19.

“Enquanto a gente mantiver este nível de ocupação hospitalar e de UTI no Brasil, vai ter dificuldade (em ter insumos). Quando o estoque acabou, tivemos de importar e não foi suficiente – e até regularizar isso vai demorar um pouco”, explica à BBC News Brasil a médica Fátima Marinho, que foi da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde entre 2005 e 2007 e hoje integra a consultoria Vital Strategies.

Marinho sugere, portanto, que o Brasil aproveite o pequeno alívio dado pela baixa atual de casos para repor seus estoques “e se preparar para a terceira onda, porque ela virá”.

A médica explica que a tragédia em curso na Índia vai, de fato, drenar recursos mundiais. “A Índia tem um parque industrial farmacêutico grande, mas uma população grande demais, em um país que não tem um Sistema Único de Saúde.”

Novas variantes vão prolongar pandemia – e afetar cada vez mais jovens

Assim como aconteceu no Brasil com a variante P.1, apontada como mais infecciosa e potencialmente responsável (junto com uma gama de outros fatores) pelo fato de muito mais pessoas jovens terem adoecido mais rapidamente com quadros graves de covid-19, a Índia está lidando tanto com a variante britânica quanto com uma variante local, chamada B.1617.

E, quanto mais rapidamente o vírus infecta mais gente – como tem acontecido na Índia, com seus recordes em novos casos diários -, maiores são as chances de que ele consiga produzir aleatoriamente novas mutações, cada vez mais perigosas.

Essas potencialmente podem se espalhar com facilidade para outras partes do mundo e tornar menos eficientes os programas globais de vacinação.

Enterro de vítima do coronavírus na Índia

Reuters
Enterro de vítima do coronavírus na Índia; país de alta densidade populacional e alta taxa de transmissão se torna um ambiente perfeito para o vírus gerar mutações cada vez mais perigosas

“A gente espera (que da Índia venham) muitas variantes. As que forem mais eficientes em transmissão acabam se tornando dominantes. Em populações gigantes como a da Índia e grandes como a do Brasil isso é um risco enorme, porque se você não controla (a transmissão) pode acabar surgindo um vírus novo”, colocando as vacinas atuais em risco, explica Fátima Marinho, da Vital Strategies.

Por isso, diz ela, vai ser cada vez mais importante não apenas testar pacientes com testes sorológicos ou PCR, mas sim analisar o genoma dos vírus das pessoas contaminadas para identificar quais são as variantes em circulação nas comunidades.

“Não basta mais o teste positivo ou negativo, mas sim trabalhar com amostras de vírus das infecções novas, para rastreamento de genoma. Se não fizermos isso vai ser um erro enorme. A OMS (Organização Mundial da Saúde) vai ter que fazer um esforço mundial para ajudar os países que não conseguem fazer por conta própria, porque é algo que afeta a todos. Não tem saída isolada da pandemia”, explica Marinho.

A necessidade de conter o surgimento de novas variantes explica também o pleito de epidemiologistas em todo o mundo por uma distribuição mais igualitária das vacinas, para proteger os países mais pobres, os que ainda têm baixos índices de imunização e os que, como a América do Sul, estão se preparando para o inverno, quando o coronavírus tem ainda mais facilidade em se propagar.

“É do interesse nacional de países ricos impedir o avanço do vírus no mundo inteiro. Nenhum de nós estará seguro até que todos nós estejamos seguros. E o único jeito de controlar as variantes é controlando as infecções, e para isso precisamos vacinar em áreas onde a infecção tende a aumentar – e no momento é no Hemisfério Sul”, disse à BBC News Brasil no início de abril o médico Ali Mokdad, professor do Instituto de Métricas de Saúde e Avaliação da Universidade de Washington.

“Estamos preocupados com muitos países, porque o vírus está em alta circulação, haverá novas variantes, a maioria delas provavelmente escapará (da proteção do sistema imunológico), o que significa que infecções prévias não darão imunidade e as vacinas ficarão menos eficientes.”

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Covid: como Portugal foi de líder em mortes a zero vítimas em 3 meses

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A incidência da doença caiu de 1,4 mil para 67 para cada 100 mil habitantes — e o país vive um momento de otimismo e reabertura

Enquanto outros países europeus ainda enfrentam lockdown, Portugal reabrirá boa parte da sua economia na segunda-feira –

De campeão de mortes e casos na União Europeia a único país sem mortes por covid-19 em 24 horas na região. Portugal viveu dois extremos durante esta pandemia em um curto espaço de apenas três meses.

Na terça-feira (27/04), a Direção-Geral de Saúde de Portugal, órgão ligado ao ministério da Saúde do país, registrou em seu boletim 196 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas e zero mortes.

O país de 10 milhões de habitantes acumulou mais de 834 mil casos e 16 mil mortes por covid-19 desde o começo da pandemia.

Há três meses, Portugal liderava em número de casos e mortes por covid-19 no bloco europeu.

Nas últimas duas semanas de janeiro, Portugal havia registrado a taxa de infecção por covid-19 mais alta da União Europeia: 1.429,43 por 100 mil habitantes, segundo os dados do Centro Europeu para a Prevenção e controle de Enfermidades. O país também tinha a taxa de mortalidade mais elevada da União Europeia: 247,55 por milhão de habitantes.

O médico brasileiro Marcelo Matos disse na época à BBC News Brasil que Portugal vivia um “tsunami” e era um “barril de pólvora”, devido a alta proporção de idosos e fumantes na população.

Agora esses números desabaram — a incidência da doença caiu de 1,4 mil para 67 para cada 100 mil habitantes — e o país vive um momento de otimismo e reabertura.

O presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, Henrique Barros, disse nesta semana em uma conferência sobre a pandemia que “se tudo correr normalmente”, Portugal pode não ter mais casos de coronavírus a partir de setembro.

“Por setembro, se tudo correr normalmente, esperamos não ter casos”, disse ele, ressaltando que é preciso manter o atual plano de vacinação.

Na sexta-feira, terminará o longo estado de emergência no país, que foi decretado em novembro e durou 172 dias. E a partir de segunda-feira (03/05), Portugal entrará na última fase do que chama de “desconfinamento” — o fim gradual das fortes medidas de lockdown que foram impostas no começo do ano.

As medidas incluem:

  • reabertura de restaurantes, cafés e pastelarias, com máximo de 10 pessoas por mesa, sem limite de horários;
  • liberação de todas as modalidades desportivas;
  • permissão para atividade física ao ar livre e em ginásios;
  • realização de grandes eventos em espaços externos; eventos em espaços internos lotação reduzida;
  • realização de casamentos e batizados com máximo de 50% de lotação do local.

Fronteiras fechadas, vacina e lockdown

Mas o que Portugal fez para reverter seu quadro em tão pouco tempo?

As principais medidas tomadas pelo país foram o investimento no programa de vacinação, a decretação de lockdowns severos ao longo do inverno europeu e o fechamento rigoroso de fronteiras — especialmente quando surgiam variantes novas do coronavírus em países como Reino Unido, Brasil e África do Sul.

Bar de Fado em Porto, 19 de abril de 2021

Reuters
Bares de fado já reabriram em Portugal, mas clientes e até músicos devem usar máscaras em boa parte do tempo

Na parte da vacinação, Portugal vem sofrendo com os mesmos atrasos que a União Europeia — que entrou em um imbróglio legal com as farmacêuticas fornecedoras das vacinas.

Mesmo assim, o governo conseguiu vacinar todos os portugueses com mais de 80 anos, a faixa etária com maior letalidade por covid e em breve terá vacinado todos acima de 60 anos. Mais de 21% das pessoas em Portugal já recebeu a primeira dose da vacina — contra apenas 12% no Brasil.

O governo está confiante que no ritmo atual, será possível acelerar essa proporção. O secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, disse nesta semana que o país poderá alcançar a imunidade coletiva “no início e não no final do verão”.

O controle de fronteiras também foi outra medida importante. No auge da pandemia, Portugal reforçou o bloqueio ao coronavírus, proibindo todas as viagens não-essenciais ao exterior. As fronteiras foram fechadas com a Espanha e por meses houve poucos voos chegando da Lisboa até mesmo de outros países europeus. Voos para países como o Brasil chegaram a ser suspensos por completo e retomados apenas na semana passada.

Bar aberto em Porto

Reuters
Portugal enfrentou 172 dias de estado de emergência devido à covid-19

O país também adotou medidas duras de confinamento, que ajudaram a derrubar a taxa de contágio em fevereiro e março. A reabertura das escolas foi atrasada — de 5 de fevereiro para 15 de março.

O país também aumentou a contratação de médicos estrangeiros, com contratos de um ano, à medida que os hospitais registravam níveis recordes de mortes. A equipe médica do país foi fortemente afetada, com 23 mil profissionais contraindo covid-19 no meio da pandemia.

Europa em lockdown

A reabertura econômica de Portugal contrasta com a situação de outros países na Europa.

A Alemanha ainda registra cerca de 25 mil novos casos e 300 mortos por dia. Apesar de ter uma taxa de vacinação semelhante à de Portugal, a Alemanha não teve um fechamento de fronteiras e voos tão rigoroso quanto Portugal.

Hospital Tras-Os-Montes E Alto Douro, em Vila Real

Reuters
Portugal liderava no número de casos e mortes na Europa no final de janeiro

Além disso, há resistências fortes ao lockdown, com uma disputa política entre o governo federal e os Estados. Muitas medidas de lockdown estavam sendo definidas apenas pelos Estados. Mas nas últimas semanas, a chanceler Angela Merkel adotou uma política de “freio de emergência”, com medidas de confinamento decretadas pelo governo federal em regiões com mais de 100 infectados por cada 100,000 habitante. A medida está sendo contestada nos tribunais em 65 processos separados.

Diante da falta de progresso contra a pandemia, alguns acreditam que o lockdown na Alemanha precisará ser estendido em boa parte do país até junho.

A França segue um cronograma parecido, com lockdown ainda em vigor em boa parte do país — que tem registrado mais de 30 mil casos e 300 mortes por dia, em média.

Outro país europeu que, como Portugal, está em processo acelerado de reabertura econômica é o Reino Unido.

No caso britânico, o maior contraste em relação aos demais países da região está na vacinação: 49% dos britânicos já receberam a primeira dose da vacina, contra 22% na União Europeia. Toda a população idosa já teve acesso ao imunizante e agora pessoas com 42 anos estão recebendo suas doses.

Como Portugal, o Reino Unido enfrentou um rigoroso lockdown, que foi decretado pouco antes do Natal de 2020 e só começou a ser liberado no começo de março.

A reabertura das atividades econômicas no Reino Unido está num estágio bem mais avançado do que no continente europeu, com restaurantes, bares e lojas não-essenciais já em funcionamento.

No dia 17 de maio, é esperado que o governo libere visitas entre pessoas de diferentes casas (com, no máximo quatro visitantes) e reabertura dos cinemas na Inglaterra.

Variantes ainda preocupam

Em Portugal, as autoridades afirmam que a luta contra o coronavírus ainda não acabou e sugerem que a reabertura pode ser interrompida ou até revertida, caso haja ressurgimento da covid-19.

“Se necessário for, não hesitarei em decretar novo estado de emergência”, disse na terça-feira o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, ao anunciar que vai parar de renovar o estado de emergência — que já havia sido renovado em 15 ocasiões. Com isso Portugal passará a estar em estado de “calamidade”, o que ainda permite que o governo adote algumas medidas de restrição, caso sejam necessárias.

A variante britânica do vírus ainda preocupa, pois está crescendo entre os novos casos de covid-19.

“Há 15 dias nós estávamos com 83% dos casos de covid-19 causados pela variante do Reino Unido e agora estimamos estar já nos 89, 90% à data de ontem [segunda-feira]”, disse o coordenador do estudo sobre a diversidade genética do novo coronavírus em Portugal, João Paulo Gomes, segundo o jornal Diário de Notícias.

Ainda assim, o país se prepara para prepara para receber turistas britânicos e alemães durante os meses do verão europeu.

Até março, Portugal ainda estava na lista “vermelha” do governo britânico — de países com altas restrições de viagens para turistas do Reino Unido. Acredita-se que ao longo de maio, Portugal entre na lista “verde”, a com menos restrições.

As praias portuguesas estão entre as preferidas de turistas britânicos e alemães, que respondem por grande parte da renda do turismo no país.

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Estudantes franceses voltam às aulas, apesar de alta de internações

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Essa é a primeira fase da reabertura escolar e representa um retorno de cerca de 6,5 milhões de alunos às escolas

(Dmitry Kostyukov/The New York Times)

Em meio a críticas de autoridades de saúde e profissionais da educação, creches, escolas de educação infantil e ensino fundamental foram reabertas nesta segunda-feira, 26, na França, após passarem três semanas com as atividades suspensas por conta da pandemia de covid-19.Essa é a primeira fase da reabertura escolar e representa um retorno de cerca de 6,5 milhões de alunos às escolas.

Na próxima segunda-feira, 3, está prevista a volta às aulas de alunos do ensino médio. Nesta data, cerca de 5,7 milhões de estudantes retornarão às atividades presenciais.

O retorno escolar, estimulado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, ocorre no momento em que o vírus continua circulando ativamente no país, com um número de pessoas na UTI maior que o da segunda onda.

No último domingo, 25, a média de casos semanais caiu abaixo de 30.000 pela primeira vez em mais de um mês. Quando o bloqueio começou, a média de novos casos por semana estava em 38.000.

Segundo afirmou Macron, o retorno à escola ajudaria a combater a desigualdade social, permitindo que os pais que lutam para pagar por creches voltem a trabalhar, mas os sindicatos alertaram que novas infecções levariam a uma “enxurrada” de fechamento de salas de aula.

No sofisticado subúrbio de Neuilly-sur-Seine, em Paris, os alunos usavam máscaras faciais e esfregavam álcool gel nas mãos enquanto passavam pela porta da frente da escola primária Achille Peretti. Um pôster lembrou os jovens de ficarem a um metro de distância.

Em seu editorial no último domingo, o jornal Libération comparou o retorno escolar a uma roleta russa, “mas com a diferença enorme que o carregador do revólver está carregado com todas as balas”.

De acordo com o texto, o risco sanitário para os professores e os alunos continua exatamente o mesmo, pois “nada foi feito durante as três semanas de suspensão para criar protocolos realistas e seguros”, critica.

Vacinação

Desde o último sábado, 24, pessoas com mais de 55 anos de idade começam a ser vacinadas na França. Até quarta-feira, 21,19,8% dos franceses haviam recebido a primeira dose de um imunizante contra a covid-19, e 7,5% as duas doses.

Segundo o jornal, 87% dos profissionais de educação do país ainda não têm prioridade para a vacinação.

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