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Saúde

Falta de oxigênio na gestação pode ser uma das causas da esquizofrenia

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Células do cérebro ficam deficitárias e são responsáveis pelo metabolismo do sistema nervoso central

Células cerebrais: testes com ratos indicam que células cerebrais submetidas a baixa oxigenação desenvolvem disfunção no mecanismo de produção de energia (Luiz Felipe Souza e Silva/Agência Fapesp)

São Paulo – A falta de oxigênio no período que antecede o parto – condição que pode afetar filhos de gestantes acometidas por um distúrbio de pressão arterial denominado pré-eclâmpsia – tem sido apontada como uma das causas da esquizofrenia.

Em artigo publicado na revista Scientific Reports, pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) descreveram de que modo esse fenômeno – chamado no jargão científico de hipóxia – afeta o tipo celular mais abundante do cérebro: o astrócito.

Por meio de experimentos com ratos, os cientistas descobriram que a baixa oxigenação causa, nessas células cerebrais, alterações no funcionamento da mitocôndria – considerada uma das organelas mais importantes por produzir grande parte da energia celular.

Conduzido com apoio da FAPESP, o trabalho abre caminho para a busca de intervenções capazes de frear o processo que leva à disfunção mitocondrial, evitando que o cérebro de bebês seja afetado no caso de pré-eclâmpsia.

“Começamos o estudo pelos astrócitos por serem as células mais abundantes do sistema nervoso central e também por metabolizarem o neurotransmissor glutamato, um dos mais relacionados com a esquizofrenia. Agora, estamos verificando o efeito da hipóxia nos neurônios. Queremos entender qual é o sinal que um tipo de célula manda para outro. O objetivo final é evitar o dano cerebral”, disse Tatiana Rosado Rosenstock, professora da FCMSCSP e coordenadora do estudo.

Com formato que lembra o de uma estrela, os astrócitos são as células mais prevalentes da glia – conjunto celular que corresponde a aproximadamente 90% do cérebro, enquanto os neurônios compõem os outros 10%.

As células da glia, que também incluem os oligodendrócitos e as micróglias, são responsáveis pelo metabolismo do sistema nervoso central, fornecendo nutrientes para os neurônios e contribuindo para a manutenção das sinapses.

Três modelos

Durante o mestrado de Luiz Felipe Souza e Silva, bolsista da FAPESP, o grupo da Santa Casa estudou o efeito da falta de oxigênio em astrócitos de ratos formassem três modelos diferentes.

Primeiro, submetendo as células a uma câmara de hipóxia, na qual todo o oxigênio é retirado do meio; em seguida, acrescentando ao meio de cultura a substância cloreto de cobalto, capaz de mimetizar bioquimicamente a falta de oxigênio.

Por fim, foram analisados astrócitos de uma linhagem de ratos naturalmente hipertensa (SHR), cujos filhotes sofrem hipóxia durante a gestação. Os animais dessa linhagem apresentam comportamentos equivalentes aos sintomas de esquizofrenia em humanos, que cessam após a administração de antipsicóticos.

Entre as variáveis alteradas nas células submetidas à hipóxia – nos diferentes modelos – chamou a atenção dos pesquisadores o balanço de cálcio.

Para produzir energia, a mitocôndria precisa de uma condição de equilíbrio entre cargas elétricas positivas e negativas em seu interior. Como o cálcio tem carga positiva, variações na quantidade desse íon provocam um desequilíbrio que, em última instância, leva à morte celular.

Em comparação com astrócitos normais, os que foram submetidos à hipóxia apresentaram nível mais baixo de cálcio no citosol, espaço entre a membrana externa e as outras partes internas da célula.

“Isso indica que as mitocôndrias dessas células passaram a captar mais cálcio [deixando uma quantidade menor no citosol, portanto] na tentativa de se proteger. Contudo, muito cálcio dentro da organela altera o potencial da membrana mitocondrial, o transporte de elétrons e, consequentemente, a produção de energia”, explicou a pesquisadora.

Além disso, a falta de oxigênio casou desequilíbrio na chamada homeostase redox, processo pelo qual a célula combate o estresse oxidativo (desequilíbrio entre moléculas oxidantes e antioxidantes) – fenômeno que pode levar à morte celular.

Segundo os pesquisadores, o aumento do estresse oxidativo também decorre da alteração na quantidade de cálcio.

Curiosamente, a hipóxia aumentou a quantidade de mitocôndrias no interior dos astrócitos. Entre outros fatores que evidenciaram o fenômeno, os pesquisadores detectaram maior expressão do gene Pgc1-α, importante para a biogênese mitocondrial.

“Em uma situação de estresse, a célula aumenta o número de mitocôndrias na tentativa de obter mais energia. Mas a disfunção celular é tão grande que, ainda assim, a produção energética não é compensada”, disse Rosenstock.

O grupo estuda agora formas de melhorar a função mitocondrial tanto em astrócitos como em neurônios.

“Se a hipóxia gera um problema na mitocôndria, talvez um dia possamos melhorar a função mitocondrial em casos de pré-eclâmpsia e evitar a esquizofrenia. Por enquanto, a melhor forma de evitar a hipóxia no feto é fazer um bom acompanhamento pré-natal, evitando distúrbios de pressão arterial”, disse a pesquisadora.

O artigo Mitochondrial Dysfunction and Changes in High-Energy Compounds in Different Cellular Models Associated to Hypoxia: Implication to Schizophrenia (doi: 10.1038/s41598-019-53605-4), de Luiz Felipe Souza e Silva, Mariana Dutra Brito, Jéssica Mayumi Camargo Yuzawa e Tatiana Rosado Rosenstock, pode ser acessado aqui.

 

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Saúde

Capital delimita locais de vacinação para grávidas e mantém imunização contra Covid para grupos específicos, nesta quarta

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Em menos de 5 meses, Amapá supera todos os casos de sarampo registrados em 2020

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Foram 320 novos confirmados entre janeiro e esta terça-feira (11). Vigilância em Saúde aponta a baixa imunização como fator importante na elevação.

Doença é caracterizada por manchas vermelhas na pele — Foto: Getty Images via BBC

Desde que voltou a registrar casos no Amapá em outubro de 2019, depois de duas décadas sem novos doentes, o sarampo segue com alta de notificações no estado, segundo a Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS). Facilmente prevenida por vacina, a doença já contabiliza, de janeiro até esta terça-feira (11), mais infecções do que todo o ano de 2020.

Passados 130 dias de 2021, são 320 pessoas confirmadas com sarampo, diante de 297 entre janeiro e dezembro do ano passado. Outras 18 notificações estão sob investigação epidemiológica.

Para a SVS, do governo estadual, o surgimento de um novo surto da doença está associado à baixa imunização, mesmo com a campanha realizada ao longo de 2020 que, inclusive, realizou a vacinação de casa em casa buscando elevar a imunidade da população.

Única maneira de evitar o sarampo é pela vacina — Foto: Divulgação/SES

Única maneira de evitar o sarampo é pela vacina — Foto: Divulgação/SES.

O sarampo é altamente contagioso e é provocado através da transmissão viral, que ocorre da mesma forma que a gripe e a Covid-19: de pessoa para pessoa, através da tosse e secreções.

Entre os sintomas estão manchas vermelhas na pele, febre, tosse e irritações pelo corpo. Não há tratamento específico e a vacina é a única prevenção. A imunização contra o sarampo é ofertada em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS) e protege ainda contra outras duas doenças: caxumba e rubéola.

Entre os motivos que levaram a baixa procura pela vacina, segundo a SVS, estão o medo da pandemia, a insuficiência de equipes do Programa Saúde da Família e falta de alimentação no sistema do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI).

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Itapetininga confirma duas mortes por Covid-19 nesta terça-feira

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São 47 novos casos. A cidade soma 11.180 notificações positivas e 9.629 pacientes se recuperaram da doença.

Coronavírus Sars-Cov-2 em imagem de microscópio eletrônico — Foto: NIAID-RML/Handout via Reuters

A Secretaria de Saúde de Itapetininga (SP) confirmou duas mortes por Covid-19 nesta terça-feira (11). A cidade soma 393 óbitos pela doença desde o início da pandemia.

Além disso, são 47 novos casos. A cidade soma 11.180 notificações positivas e 9.629 pacientes se recuperaram da doença.

A ocupação de leitos no Hospital Léo Orsi Bernardes está em 100% na UTI, 81% na enfermaria e 100% no hospital de campanha interno.

Na Unimed a ocupação passa de 100% na UTI, com um paciente a mais internado; e a enfermaria tem ocupação de 92%, com apenas uma vaga sobrando.

Ainda há onze pacientes aguardando uma vaga via Cross, a Central de Regulação de Vagas do Estado. De acordo com a Prefeitura, isso acontece pois o hospital funciona no sistema “porta aberta” e precisa de fluxo dos pacientes para suportar novos atendimentos na extensão da UTI.

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DF suspende vacinação contra Covid-19 para grávidas com comorbidades, após orientação da Anvisa

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Agência emitiu nota técnica recomendando que uso da vacina AstraZeneca/Fiocruz fosse interrompido para gestantes. Nesta terça (11), Secretaria de Saúde optou por parar imunização, independentemente do fabricante.

Vacina Covishield /AstraZeneca, em imagem de arquivo — Foto: Breno Esaki/Secretaria de Saúde do DF

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) suspendeu, nesta terça-feira (11), o agendamento e a aplicação da vacina contra a Covid-19 em grávidas com comorbidades. A medida ocorre, de forma preventiva, após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendar que a imunização com a AstraZeneca/Fiocruz fosse interrompida em gestantes (veja mais abaixo).

“As gestantes que estavam marcadas para hoje [11] não serão vacinadas e serão orientadas a aguardar nova determinação”, diz Secretaria de Saúde do DF.

Em nota, a pasta informou que aguarda recomendações técnicas do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. Estados como São Paulo e Rio de Janeiro adotaram a mesma medida que o DF. Já em Pernambuco, apenas a vacinação com a AstraZeneca foi interrompida.

Em Brasília, a imunização de mulheres grávidas com algum tipo de doença pré-existente começou no dia 4 de maio. Até a última atualização desta reportagem, a SES-DF não deu detalhes sobre o novo esquema de vacinação, já que a maioria das doses em uso na capital são da AstraZeneca.

A pasta alerta, no entanto, que não houve problemas com a vacina. “Até o momento não houve no DF registro de evento adverso grave em gestantes”, disse a Secretaria de Saúde.

Orientação da Anvisa

A orientação da Anvisa é que “seja seguida pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) a indicação da bula da vacina AstraZeneca e que a orientação é resultado do monitoramento de eventos adversos feito de forma constante sobre as vacinas Covid em uso no país”.

O texto diz ainda que “o uso de vacinas em situações não previstas na bula só deve ser feito mediante avaliação individual por um profissional de saúde que considere os riscos e benefícios para a paciente”. A bula atual da vacina contra Covid da AstraZeneca não recomenda o uso da vacina sem orientação médica.

O Ministério da Saúde incluiu todas as grávidas e puérperas (mulheres no período pós-parto) no plano de imunização, em março. Na época, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Franciele Francinato, explicou que a decisão foi tomada visto que esse grupo tem risco maior de hospitalização por Covid-19.

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Por que vacinas não são vitória apenas do setor privado, como disse Paulo Guedes

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A vacina “da Pfizer”, elogiada pelo ministro, recebeu um vultoso investimento do governo alemão, por meio da BioNTech, parceira da farmacêutica americana

Vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech recebeu milhões do governo alemão –

O ministro da Economia, Paulo Guedes, atribuiu a resposta em tempo recorde das vacinas contra covid-19 aos esforços empreendidos pelo setor privado em meio à pandemia.

A afirmação veio no contexto de mais uma declaração atrapalhada de Guedes, que disse em reunião do Conselho de Saúde Suplementar nesta terça (27/04) que a China teria “inventado” o vírus, enquanto defendia a eficiência da indústria dos Estados Unidos.

“O chinês inventou o vírus, e a vacina dele é menos efetiva do que a americana. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Então, os caras falam: ‘Qual é o vírus? É esse? Tá bom, decodifica’. Tá aqui a vacina da Pfizer. É melhor do que as outras”, declarou, sem saber que o encontro estava sendo transmitido pela internet. Após a reunião, o vídeo foi retirado do ar.

Posteriormente, ao se desculpar por ter usado o que chamou de “imagem infeliz” para se referir à China, o ministro disse que sua intenção com a fala foi “dar a importância do setor privado, como ele consegue dar a resposta”.

A vacina “da Pfizer”, elogiada pelo ministro, recebeu um vultoso investimento do governo alemão, por meio da BioNTech, parceira da farmacêutica americana.

Ministro Paulo Guedes fala a jornalistas em Brasília em 5 de novembro de 2019

Adriano Machado/Reuters Sem saber que estava sendo gravado, Guedes afirmou que China teria ‘inventado’ o coronavírus, enquanto defendia a eficiência da indústria dos Estados Unidos

O mecanismo de funcionamento da vacina, aliás, não foi criado nos Estados Unidos. A tecnologia baseada no RNA mensageiro foi desenvolvida pela BioNTech, companhia fundada por uma casal de cientistas alemães de origem turca.

Em setembro do ano passado, a farmacêutica recebeu 375 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,4 bilhões) do Ministério Federal da Educação e Pesquisa para aplicar na pesquisa do imunizante.

O caso não é isolado.

A farmacêutica Moderna, que também desenvolveu uma vacina contra a covid-19 baseada na tecnologia de RNAm, tem um contrato de mais de um bilhão de dólares com a Biomedical Advanced Research and Development Authority (BARDA), uma divisão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

Conforme um comunicado divulgado neste mês pela empresa americana, o valor dos repasses para financiar licenciamento, estudos clínicos e aceleração da produção foi recentemente aumentado em US$ 235 milhões, levando o total à cifra de US$ 1,25 bilhão (cerca de R$ 6,7 bilhões).

A pesquisa também recebeu apoio de uma série de entidades públicas, entre elas o National Institute of Allergy and Infectious Diseases e o National Center for Advancing Translational Sciences, que são parte do National Institute of Health (NIH, o Instituto Nacional de Saúde), uma agência do Departamento de Saúde.

Essas e outras entidades estão listadas no relatório preliminar sobre o imunizante, publicado no periódico científico The New England Journal of Medicine.

O mesmo texto cita também a cantora Dolly Parton, ícone da música country americana, que foi uma entre muitos que doaram para a iniciativa. Ela contribuiu financeiramente para a pesquisa conduzida pelo centro médico da Universidade de Vanderbilt, que fez parte dos esforços no desenvolvimento da vacina.

A Biomedical Advanced Research and Development Authority (BARDA) também colocou dinheiro na pesquisa da vacina da Johnson&Johnson, a Janssen. Em um comunicado de março do ano passado, a empresa anunciou a parceria com a entidade pública, afirmando que ambas investiriam, juntas, US$ 1 bilhão na pesquisa.

A vacina da anglo-sueca AstraZeneca, por sua vez, foi largamente financiada com recursos públicos ou de entidades filantrópicas. Um estudo aponta que 97% do financiamento veio dessas fontes, conforme levantamento feito pela organização Universities Allied for Essential Medicines UK e publicado em versão ainda não revisada por pares no último dia 15.

A pesquisa foi uma reação a uma declaração dada em março pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que atribuiu o sucesso da vacina da farmacêutica ao “capitalismo” e à “ganância”.

vacina da AstraZeneca

Getty Images
Estudo apontou que 97% dos recursos que financiaram desenvolvimento da vacina Oxford/AstraZeneca veio do setor público e entidades filantrópicas

Na onda de reações negativas à fala do premiê, especialistas também lembraram que a pesquisa em si para o desenvolvimento do imunizante foi conduzida pelos cientistas da Universidade de Oxford, uma instituição pública.

Em um relatório recente, o Conselho Estratégico para Indústria do Reino Unido aponta que o envolvimento do setor público foi fundamental para acelerar o desenvolvimento do imunizante.

Para o economista Caetano Penna, pesquisador sênior no Centre for Global Challenges na Universidade de Utrecht, na Holanda, e professor licenciado UFRJ, a declaração de Guedes exprime um “preconceito que é prejudicial ao próprio desenvolvimento da Medicina”.

“Estabelece uma oposição falsa entre o setor privado e o Estado, como se um fosse mais responsável pelas conquistas que o outro. O que se precisa [no contexto da inovação] é de parceria, de sinergia entre duas esferas, entre a estatal e a privada”, pontua o especialista em política científica e tecnológica.

“O que a gente vê quando analisa o financiamento à saúde é que há um papel fortíssimo do Estado na liderança dos investimentos. E não estamos falando aqui de China ou Rússia, mas de países como os Estados Unidos”, completa.

A rede de laboratórios públicos do National Institute of Health (NIH), ele destaca, recebe bilhões de dólares anualmente.

Desde o ano 2000, o orçamento do instituto nunca foi inferior a US$ 30 bilhões, tendo chegado a US$ 41,7 bilhões no ano passado, conforme os dados disponíveis.

De forma geral, cerca de 10% dos recursos vão para os laboratórios do próprio NIH, e o restante é usado para financiar pesquisas em mais de 2,5 mil universidades, escolas de Medicina e centros de excelência.

Além de dar apoio financeiro e institucional ao setor privado no desenvolvimento das inovações no setor de saúde, o setor público também tem dado contribuição importante no âmbito da ciência aplicada, ressalta Penna.

Tem-se a impressão errada de que o financiamento público está majoritariamente restrito à ciência básica – a chamada ciência “pura”, que faz novas descobertas e que demanda um investimento considerado mais arriscado.

“Com a revolução da biotecnologia, os laboratórios públicos fazem hoje todas as etapas de pesquisa”, diz o economista.

Um estudo de 2011 publicado no New England Journal of Medicine que analisava o papel da pesquisa conduzida pelo setor público na descoberta de novos medicamentos e imunizantes nos Estados Unidos chama atenção para o papel central no desenvolvimento de vacinas.

“Praticamente todas as vacinas importantes e inovadoras introduzidas nos últimos 25 anos foram criadas por instituições de pesquisa públicas [PSRI na sigla em inglês, referente a public-sector research institutions]”, diz o texto.

No Brasil, as chances de o país ter uma vacina própria contra a covid-19 vêm de instituições públicas de pesquisa, entre elas Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Instituto Butantã, que têm tido papel central no combate à pandemia.

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Ministério da Saúde descobre 100 mil doses de CoronaVac

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Imunizantes estão dentro da validade e serão distribuídos para os estados. O produto deixado no estoque é a CoronaVac, vacina mais aplicada no país

(crédito: SERGEI SUPINSKY)

O Ministério da Saúde descobriu que tem um estoque adicional de 100 mil doses de CoronaVac. O imunizante, produzido pelo Instituto Butantan, estava armazenado corretamente e, por isso, não se perdeu. As doses que foram encontradas nesta quarta-feira (28/4) e serão distribuídas aos estados.

A revelação de que o governo federal tem mais unidades da CoronaVac foi publicada pela Gaúcha ZH. Por meio de nota, o Ministério da Saúde afirmou que “não retêm doses de vacina Covid-19”. “Toda semana a pasta recebe imunizantes do Butantan e Fiocruz. Em seguida é realizada reunião com representantes da União, Estados e Municípios para definir a pauta de distribuição das vacinas, que no dia seguinte são encaminhadas às secretarias de saúde das Unidades Federativas”, informou o órgão. Ainda segundo o texto, a pasta distribuirá, nesta quinta, 5,2 milhões de doses de vacinas Covid-19 para todos os estados.

No início da semana, o ministro Marcelo Queiroga admitiu que enfrenta dificuldades no fornecimento da segunda dose da CoronaVac. “O que tem nos causado certa preocupação é a CoronaVac, a segunda dose. Tem sido um pedido de governadores e prefeitos, porque, se os senhores lembram, cerca de um mês atrás, se liberou as segundas doses para que se aplicassem. E agora, em face do retardo de insumo vindo da China para o Butantan, há uma dificuldade com essa 2ª dose”, justificou na segunda-feira (26).

Na terça-feira (27), o Ministério da Saúde recomendou que a população tome a segunda dose mesmo fora do prazo.

O Brasil deverá atingir o patamar de 400 mil pessoas mortas nesta quinta-feira (29). O balanço de contaminados e mortos por coronavírus do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) apontou 3.163 óbitos pela doença nesta quarta-feira (28/4) no Brasil. O registro de novos infectados no período é de 79.726.

 

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