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China tem desafio de convencer o mundo a confiar em suas vacinas

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As vacinas da China visavam marcar uma vitória diplomática clara para o governo de Pequim, estreitando laços com dezenas de países mais pobres

Vacina da Sinovac: o desafio de produzir e distribuir milhões de doses deve fazer com que países em desenvolvimento não tenham muitas opções além das vacinas chinesas (Nicolas Bock/Bloomberg).

De todos os países em desenvolvimento que testam as vacinas contra a Covid-19 da China, poucos têm relações mais amigáveis com o governo de Pequim do que o Paquistão.

Nos anos que antecederam a pandemia, a China financiou quase US$ 70 bilhões em estradas, ferrovias e usinas elétricas no país do sul da Ásia, e o Paquistão agora tem dois ensaios clínicos chineses em andamento. Até mesmo autoridades do governo foram vacinadas.

No entanto, entrevistas com pessoas em Karachi, a maior cidade do país – bem como em outros países em desenvolvimento, da Indonésia ao Brasil, juntamente com pesquisas e comentários oficiais -, mostram que a China não conseguiu convencer milhões de pessoas que podem depender de suas vacinas.

“Eu não vou tomar”, disse Farman Ali Shah, motoqueiro em Karachi do aplicativo de transporte Bykea, enquanto as lojas locais fechavam antes do toque de recolher às 20h por causa da pandemia. “Não confio.”

Essa desconfiança e a dependência da China por parte de dezenas de países mais pobres para inocular suas populações podem criar o cenário para uma grande dor de cabeça política global se os cidadãos que receberam a vacina chinesa sentirem que estão recebendo um produto inferior.

 Quase 100 países têm algum tipo de acordo de compra de vacina ou empréstimo com o governo chinês

As vacinas da China visavam marcar uma vitória diplomática clara para o governo de Pequim, estreitando laços com dezenas de países mais pobres em meio a uma antecipada escassez de imunizantes desenvolvidos pelo Ocidente.

Mas há poucas informações sobre como as versões chinesas se saíram nos ensaios clínicos de estágio final: apenas os Emirados Árabes Unidos e a própria China aprovaram as vacinas para uso emergencial até agora. Enquanto isso, algumas empresas americanas e europeias publicaram dados sobre a segurança e eficácia de suas vacinas e começaram a distribui-las.

“A China tem uma grande oportunidade de fazer diplomacia de vacinas e distribuir um produto que salve vidas”, disse Jorge Guajardo, diretor sênior da McLarty Associates, que foi embaixador do México na China por seis anos. “Na minha experiência, cada vez que eles se envolvem em diplomacia, estragam tudo – conseguem decepcionar os países que recebem sua ajuda.”

Em resposta às perguntas da Bloomberg, o Ministério de Relações Exteriores da China disse que as empresas chinesas que desenvolvem vacinas cumprem rigorosamente a lei e que os ensaios clínicos nas duas primeiras fases mostraram que as vacinas eram seguras e eficazes. O governo chinês administrou mais de um milhão de doses de vacinas de emergência desde julho, disse, e “não encontramos nenhuma reação adversa grave”.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Zhao Lijian, disse em tuíte na segunda-feira que as vacinas chinesas podem ser a “única escolha” para governos que não garantiram o fornecimento, uma vez que “países ricos” reservaram três quartos dos estimados 12 bilhões de vacinas a serem produzidas no próximo ano.

Do lado da China está a matemática. O desafio de fabricar, distribuir e administrar bilhões de doses significa que muitos países em desenvolvimento podem ter pouca escolha a não ser usar vacinas chinesas para pelo menos parte de suas populações. Muitos não têm instalações suficientes para armazenar a vacina da Pfizer, que precisa ser refrigerada a -70 graus Celsius.

Ironicamente, as fabricantes chinesas de vacinas estiveram inicialmente na liderança da pesquisa, mas o rápido controle do contágio da China dificultou a disponibilidade de lugares para realizar ensaios clínicos da terceira fase, enquanto rivais dos EUA avançavam. As empresas chinesas agora têm ensaios de terceira fase em execução em pelo menos 16 países, com estudos da China National Biotec Group (CNBG) da Argentina ao Marrocos; da Sinovac Biotech no Brasil, Turquia e Filipinas, entre outros; e ensaios da CanSino Biologics no Paquistão, México e Arábia Saudita.

Representantes do Instituto Butantan, que coopera na condução dos ensaios clínicos para a vacina da Sinovac, disseram em 23 de dezembro que o imunizante mostrou eficácia acima de 50%, o que atende ao padrão mínimo estabelecido por reguladores dos EUA para autorização emergencial de vacinas contra a Covid. O instituto não forneceu detalhes, citando o pedido de Sinovac para reconciliar dados de diferentes ensaios.

UTI do Emílio Ribas, em São Paulo: parte dos brasileiros desconfia da vacina da Sinovac (Jonne Roriz/Bloomberg)

O ensaio no Brasil é o maior da Sinovac até agora, com cerca de 13 mil participantes. Um ensaio na Turquia indicou que a vacina mostrou eficácia de 91%, embora seja considerado inconclusivo, pois teve como base apenas 29 casos, em comparação com os 170 identificados no Brasil. As vacinas da Pfizer e da Moderna produziram resultados bem acima de 90%.

“Em um país onde a vacina chinesa é a única disponível, você aceita ou não aceita”, disse Yanzhong Huang, pesquisador sênior de saúde global do Conselho de Relações Exteriores de Nova York. “Mas, quando você tem opções entre diferentes vacinas, as pessoas são racionais. Certamente vão escolher vacinas fabricadas no Ocidente porque são a opção número 1, os dados já estão disponíveis e são seguras. Sobre a China, até agora, não tiveram nenhum dado sistemático disponível.”

CNBG e CanSino não responderam a pedidos de comentários da Bloomberg. Um porta-voz da Sinovac citou conferências de imprensa recentes em Pequim, onde autoridades de saúde disseram que as vacinas inativadas em ensaios de fase três e aprovadas para uso emergencial foram consideradas seguras, com apenas efeitos colaterais leves, e que existe um mecanismo para ser seguido com pessoas que tomam as vacinas. Um porta-voz da Sinovac também disse que a empresa só poderia divulgar os dados de eficácia depois de revisados por reguladores chineses.

Aplicação de vacina da Pfizer/BioNTech: empresas americanas e europeias saíram na frente na corrida pela vacina (Eric Lee/Bloomberg)

Em poucos lugares a questão se tornou tão politizada quanto no Brasil, o terceiro país com mais casos, depois dos Estados Unidos e da Índia.

Pesquisa do Datafolha no início do mês mostrou que metade dos brasileiros não tomaria a vacina Sinovac-Butantan, a maior taxa de rejeição entre todas as vacinas. Cerca de 36% dos entrevistados disseram que também rejeitariam uma vacina russa, enquanto 23% disseram que não tomariam um imunizante dos EUA.

Natalia Pasternak Taschner, microbiologista e fundadora do Instituto Questão de Ciência, diz que a Anvisa vai avaliar os dados quanto à eficácia e segurança, mas destacou que isso precisa ser bem comunicado à população. Segundo ela, é um grande desafio fazer isso quando o presidente e o governo federal são os que levantam dúvidas sobre a produção da vacina na China.

A China também pode estar superestimando sua capacidade de vacinar simultaneamente sua própria população de 1,4 bilhão e atender à demanda de outras centenas de milhões em populosos países em desenvolvimento, disse Huang, do Conselho de Relações Exteriores, que participou de audiências perante comitês do Congresso dos EUA.

A CNBG disse ser capaz de produzir 1 bilhão de doses de suas vacinas inativadas, enquanto a Sinovac pode produzir 600 milhões de doses, com base em unidades existentes e nas que serão concluídas em breve. A CanSino disse que poderia produzir de 200 milhões a 300 milhões de doses de suas vacinas de vetores virais.

 

 

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Biden: há apoio bipartidário para melhorar oferta de chips semicondutores

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Biden defendeu a importância de melhorar a cadeia produtiva, como forma de garantir a competitividade da maior economia do planeta diante do avanço da China

Joe Biden: o presidente voltou a ressaltar a proposta de cerca de US$ 2 trilhões em investimentos a infraestrutura (Ken Cedeno/CNP/Bloomberg/Getty Images)

Enquanto a indústria americana enfrenta gargalos na oferta de chips semicondutores, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden recebeu líderes empresariais na Casa Branca nesta segunda-feira 12, para uma reunião sobre o tema. No encontro, o democrata afirmou que há “amplo apoio” no Congresso por um possível legislação nessa área. “Acho que podemos fazer isso para o povo americano”, disse.

Biden defendeu a importância de melhorar a cadeia produtiva, como forma de garantir a competitividade da maior economia do planeta diante do avanço da China. “Tenho dito isso há algum tempo já: a China e o resto mundo não estão esperando. Não há razões para que tenhamos que esperar”, argumentou, citando carta recebida por ele de parlamentares dos dois partidos.

O presidente voltou a ressaltar a proposta de cerca de US$ 2 trilhões em investimentos a infraestrutura. “O plano que proponho vai criar milhões de empregos, reconstruir a América, proteger nossa cadeia de abastecimento e revitalizar a manufatura americana”, destacou.

Falta de microchips é ‘questão de segurança nacional’, diz Casa Branca

Porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki afirmou durante entrevista coletiva nesta segunda-feira, 12, que a falta de microchips semicondutores é “uma questão de segurança nacional” para os Estados Unidos. Segundo ela, o governo do presidente Joe Biden deseja trabalhar com o setor a fim de evitar a carência desses componentes no futuro.

Mais cedo, a chinesa Huawei atribuiu a carência global de microchips a sanções impostas pelos EUA contra a China. Segundo a empresa, as medidas americanas levariam a “compras por pânico” de grandes companhias pelo mundo.

Psaki comentou que Biden deseja ouvir diretamente nesta tarde as empresas americanas envolvidas nessa área, a fim de entender o quadro. Segundo a porta-voz, porém, não há expectativa de que o presidente possa anunciar medidas sobre isso já no dia de hoje.

Durante a coletiva, Psaki também voltou a defender o pacote de infraestrutura almejado por Biden. Segundo ela, o presidente está “absolutamente” disposto a negociar a iniciativa com os congressistas em Washington. “Tudo está aberto à negociação”, afirmou, citando também o financiamento da iniciativa como exemplo do que pode ser discutido com os legisladores.

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Crise da vacina de Oxford gera atrasos na campanha de imunização da União Europeia

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O bloco está atribuindo a culpa à falta de entregas da farmacêutica AstraZeneca; na França, doses do imunizante estão encalhadas em meio ao receio provocado por casos de trombose

A União Europeia comprou vacinas de diversas farmacêuticas, mas ainda assim está com a campanha de imunização atrasada

O responsável pela campanha de vacinação contra a Covid-19 na União Europeia, Thierry Breton, atribuiu à farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca a culpa do bloco não ter conseguido cumprir o seu objetivo de inocular 80% dos idosos até o final de março. Em entrevista ao jornal francês Le Parisien, o comissário afirmou que os 27 países-membro estariam no mesmo patamar que o Reino Unido em termos de imunização caso tivessem recebido todas as vacinas de Oxford contratadas. “Posso dizer que a turbulência que vivenciamos deve-se exclusivamente ao fracasso da AstraZeneca em entregar. No primeiro trimestre, a AstraZeneca entregou apenas um quarto das doses que pedimos, enquanto os britânicos receberam todas, embora nosso contrato tenha sido assinado antes deles, em agosto de 2020”, defendeu. O Reino Unido negou essa afirmação, dizendo que a farmacêutica também não cumpriu os seus compromissos com o governo britânico. No entanto, é inegável que a campanha de vacinação do país está mais avançado do que a da União Europeia. Dados do Centro Europeu de Prevenção de Doenças divulgados nesta segunda-feira, 5, indicam que nos países do bloco uma média de 59,8% dos idosos com 80 anos ou mais receberam pelo menos a primeira dose da vacina. Já na Inglaterra, no País de Gales e na Escócia, esse mesmo índice está acima dos 98%.

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Reino Unido limita vacina da AstraZeneca para pessoas acima de 30 anos

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A decisão veio após relatos de coágulos sanguíneos em quem recebeu o imunizante

A vacina da AstraZeneca: coágulos sanguíneos raros, mas que são potencialmente fatais, foram listados como “efeitos colaterais” (Dado Ruvic/Reuters)

Após a agência reguladora de medicamentos da Europa listar coágulos sanguíneos como “efeitos colaterais” da vacina contra Covid-19 da AstraZeneca, o órgão consultivo de vacinas do Reino Unido disse nesta quarta-feira (7) que a injeção de Covid-19 da AstraZeneca não deve ser dada a pacientes com menos de 30 anos.

A decisão deve se manter até que seja apurada ligação entre a vacina e os efeitos adversos, informou o jornal americano Wall Street Journal.

A vacina AstraZeneca, que foi desenvolvida em conjunto com a Universidade de Oxford, enfrentou dúvidas sobre sua eficácia e possíveis efeitos colaterais, mesmo com dezenas de milhões de doses administradas após aprovações de segurança em mais de 70 países em todo o mundo.

O alerta surgiu após uma investigação de 86 casos relatados em pessoas vacinadas, dos quais 18 foram fatais. “Uma explicação plausível para a combinação de coágulos sanguíneos e plaquetas de sangue baixas é uma reação imunológica, o que causa um problema semelhante àquele visto às vezes em pacientes tratados com heparina”, disse a Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

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Covid: Biden antecipa em 2 semanas prazo para que todos os adultos recebam vacina

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Se alcançar esse objetivo, isso implicará o fim das restrições por idade, estado de saúde e outras categorias para quem quiser se vacinar contra o coronavírus

(crédito: CHIP SOMODEVILLA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, deve anunciar nesta terça-feira, 6, a antecipação em duas semanas do prazo final para que todos os adultos do país estejam elegíveis para receber a primeira dose da vacina contra a covid-19. Assim, a nova data será 19 de abril, e não mais 1º de maio, como divulgado anteriormente. Se alcançar esse objetivo, isso implicará o fim das restrições por idade, estado de saúde e outras categorias para quem quiser se vacinar contra o coronavírus. Isso não quer dizer, necessariamente, porém, que todos poderão se vacinar de imediato, já que a distribuição ainda está em curso.
O democrata também vai anunciar que os EUA, desde que ele assumiu a Casa Branca, entregaram mais de 150 milhões de doses. Biden deve visitar nesta terça um local de imunização na cidade de Alexandria, no Estado da Virgínia, antes de fazer o pronunciamento na Casa Branca.
O governo federal vem aumentando significativamente o ritmo da vacinação nos EUA. Inicialmente, Estados com poucas doses limitaram seus esforços para priorizar grupos com maior risco à doença, além de idosos, mas Biden conseguiu cumprir a promessa de aplicar 100 milhões de vacinas nos primeiros 100 dias no cargo muito antes do prazo, após 58 dias.
Na segunda-feira, 5, o assessor da Casa Branca sobre a pandemia, Andy Slavitt, afirmou que os EUA estão “agora com uma média de 3,1 milhões de injeções por dia durante o período de sete dias mais recente”.
Agora, Biden dobrou o objetivo e quer imunizar 200 milhões até o fim de abril. Até o momento, 167 milhões de doses já foram administradas no país – 4 a cada 10 pessoas nos EUA receberam ao menos uma dose. Os fármacos da Moderna e da Pfizer/BioNTech requerem duas doses, enquanto o produzido pela Johnson & Johnson, também usado no país, apenas uma.
Nos EUA, a covid-19 já matou mais de 500 mil pessoas, o que coloca o país no topo do ranking de óbitos devido à doença. O Brasil vem em segundo lugar.
Na semana passada, Biden já havia informado que 90% dos adultos estariam aptos para a imunização antes do fim do mês. Com os Estados expandindo a vacinação ou planejando fazê-lo, no entanto, houve um entendimento de que será possível contemplar todas as pessoas menores de idade na nova data.
Aumento de casos
A aceleração da vacinação no país, que aplicou mais de 4 milhões de doses no sábado, 3, coincide com um aumento dos diagnósticos de covid-19 em território nacional, após os casos despencarem quase 80% entre o meio de janeiro e o fim de março.
O controle coincidiu com a posse de Biden, que foi na direção contrária de seu antecessor, Donald Trump, centralizando o combate à pandemia, recomendando o uso obrigatório de máscaras em espaços públicos, o distanciamento social e a testagem, por exemplo.
Agora, com o alívio de várias restrições, a retomada de atividades pré-pandêmicas e o otimismo diante da vacina, vários Estados veem um novo aumento dos casos. A situação é mais aguda onde a variante britânica B.1.1.7, mais contagiosa e letal, circula livremente.
As vacinas usadas nos EUA são eficientes contra a cepa britânica. Segundo especialistas, no entanto, é necessário que entre 70% e 90% da população tenha anticorpos para o vírus até que haja uma queda significativa da transmissão. Cerca 32% da população americana recebeu ao menos uma dose da vacina até o momento, e apenas 19% foi totalmente inoculada.
Em pronunciamento na Casa Branca, Biden deve ressaltar ainda que, segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, mais de 75% das pessoas com mais de 65 anos foram vacinadas nos país – 55% delas totalmente imunizadas – número que era de 8% quando ele tomou posse. (Com agências internacionais).
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Agência europeia diz ‘ainda não ter conclusão’ sobre vacina da AstraZeneca

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Após publicação de jornal italiano, reproduzida pela agência AFP, a EMA disse nesta terça-feira que não foi possível ainda encontrar relação entre casos de coágulo e a vacina da AstraZeneca

AstraZeneca: como precaução, vários países determinaram a aplicação desta vacina a algumas faixas etárias, como França, Alemanha e Canadá (Massimo Pinca/Reuters)

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) declarou, nesta terça-feira (6), que continua avaliando se a vacina da AstraZeneca contra o coronavírus tem relação com a formação de coágulos sanguíneos.

Anteriormente, agência AFP relatou que autoridade da Agência Europeia de Medicamentos havia confirmado o vínculo entre a vacina e os casos registrados da doença

Em nota à AFP, o comitê de segurança da agência afirma “ainda não ter chegado a uma conclusão e o exame está em curso”.

O comunicado acrescenta que uma decisão a esse respeito deve ser anunciada “amanhã (quarta, 7 de abril), ou na quinta-feira (8 de abril)”.

A reação da EMA é uma resposta à entrevista dada pelo diretor de estratégia de vacinas desta agência, Marco Cavaleri, ao jornal italiano Il Messaggero. Nela, o especialista confirmou uma “ligação” entre a vacina da AstraZeneca e os casos de trombose registrados nas pessoas que receberam esse imunizante.

“Agora podemos dizer, está claro que há uma ligação com a vacina, que provoca essa reação. Porém, ainda não sabemos o porquê (…) Resumindo, nas próximas horas vamos dizer que existe uma ligação, mas ainda temos que entender por que isso acontece”, diz Cavaleri a Il Messaggero.

Há várias semanas, surgiram suspeitas de possíveis efeitos colaterais graves, ainda que raros, entre pessoas vacinadas com a AstraZeneca. Seriam casos de trombose atípica. Alguns deles já causaram mortes.

No Reino Unido, houve 30 casos e sete óbitos de um total de 18,1 milhões de doses administradas até 24 de março.

Para a AstraZeneca, os benefícios do antídoto do laboratório anglo-sueco na prevenção da covid-19 superam os riscos de efeitos colaterais. No sábado (3), o grupo garantiu que a “segurança do paciente” é sua “maior prioridade”.

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OMS não apoia a exigência de passaportes de vacinação

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A OMS não apoia a medida devido à incerteza sobre se o imunizante evita a transmissão do vírus, e também por preocupações relacionadas à igualdade

Tedros Adhanom Ghebreyesus: diretor da OMS parabenizou Reino Unido por voltar a fechar regiões em perigo (Fabrice Coffrini/Pool/Reuters)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não apoia a exigência de passaportes de vacinação para entrada ou saída de países, devido à incerteza sobre se a vacinação contra Covid-19 evita a transmissão do vírus, e também por preocupações relacionadas à igualdade, disse uma porta-voz da entidade nesta terça-feira.

A OMS espera analisar a listagem para uso emergencial das vacinas contra Covid-19 dos laboratórios chineses Sinopharm e Sinovac por volta do final de abril, disse a porta-voz da OMS Margaret Harris em um briefing da Organização das Nações Unidas.

Por um lado, o passaporte da vacinação — como está sendo chamado — deve ajudar na retomada de algumas atividades que exigem maior assertividade quanto à segurança de seus usuários. É o caso da indústria do transporte aéreo, na medida em que a liberação de passageiros pode ser condicionada ao “carimbo verde” de quem foi vacinado.

Algumas das maiores companhias aéreas do mundo pretendem utilizar um aplicativo que funcionará como um passaporte da vacinação, contendo tanto resultados de testes para o novo coronavírus como de vacinação para a imunização contra a doença.

Esse passaporte estaria integrado com o app CommonPass para criar uma espécie de rede global de informações de saúde em conjunto com aeroportos, outras companhias aéreas e até governos nacionais. O CommonPass é uma iniciativa que conta com o envolvimento do Fórum Econômico Mundial.

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