As Eleições Gerais de 2026 já iniciaram os preparativos envolvendo a contagem de eleitores, os procedimentos com as urnas e as medidas de transparência. Entretanto, ainda há muito a ser definido ao longo dos próximos 12 meses, incluindo a escolha das chapas, aprovações e possíveis julgamentos.
O processo se inicia com a gestão da ministra Cármen Lúcia no cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas a liderança da etapa final e decisiva ficará sob a responsabilidade de outro presidente. Esse pleito reunirá mais de 156 milhões de eleitores.
O atual vice-presidente do TSE, o ministro Nunes Marques, será o presidente durante as Eleições de 2026. Ele, que é membro efetivo da Corte Eleitoral desde maio de 2023, assumirá a presidência do TSE no final de agosto de 2026, quando Cármen Lúcia deixará o cargo. O ministro André Mendonça será o vice-presidente na data das eleições.
As eleições de 2026 prometem repetir a polarização observada em 2022, quando os principais candidatos foram Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entretanto, a presidência do TSE terá um conjunto de lideranças diferente daquele ano, cujo presidente era Alexandre de Moraes.
Nunes Marques e André Mendonça foram indicados por Jair Bolsonaro para integrar o Supremo Tribunal Federal (STF). O TSE é formado por, no mínimo, sete ministros: três originários do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois representantes da classe dos juristas — advogados de notório saber jurídico e elevada idoneidade — cujos cargos ocorrem por rotatividade.
Cada ministro é eleito para um mandato de dois anos, podendo ser reconduzido pelo mesmo período consecutivamente uma única vez; a exceção são os ministros oriundos do STJ, cujo mandato é apenas um biênio.
Nunes Marques apresenta um perfil mais conservador em relação ao presidente do TSE em 2022, evidenciando uma postura de evitar que a Justiça Eleitoral funcione como um “terceiro turno” nas eleições. Como vice-presidente do TSE, ele votou em favor de uma menor interferência da Justiça Eleitoral nas decisões sobre os resultados das urnas.
Em evento recente da Justiça Eleitoral, Nunes Marques destacou a importância da urna eletrônica e seu contínuo desenvolvimento para garantir eficiência, transparência e rapidez na apuração dos votos. Ele ressaltou que o voto eletrônico é um patrimônio nacional, e que a Justiça Eleitoral deve trabalhar continuamente para manter a confiança no sistema.
Nunes Marques também propôs, para as Eleições Gerais de 2026, a criação de uma resolução que consolide todas as normas legais e regulamentares destinadas aos eleitores, facilitando o acesso às informações relevantes para candidatos, apoiadores e colaboradores da Justiça Eleitoral.
Além disso, ele reforçou que a democracia brasileira é dinâmica e fortalece-se a cada pleito, comparando-a a um rio em constante movimento, impulsionado pela participação dos milhões de eleitores que exercem seu voto com esperança e consciência.
O ministro Kassio Nunes Marques nasceu em Teresina, Piauí. Antes de integrar o STF, atuou como desembargador federal no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Foi nomeado ministro do STF em 2020, indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral. Bolsonaro está inelegível também por condenação do STF a 27 anos de prisão, sob a Lei da Ficha Limpa, por envolvimento em tentativa de golpe de Estado.

