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Rússia quer criar ‘internet paralela’ com Brasil e China mas sem EUA

O jornal russo RT reportou nesta semana que a Rússia pretende criar uma infraestrutura de internet independente. Essa “internet paralela” seria dedicada aos países do grupo BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – e continuaria a funcionar mesmo no caso de uma falha global de telecomunicações.

Mais especificamente, segundo o Defense One, o governo russo quer criar uma alternativa ao sistema global de Sistema de Nomes de Domínio (DNS, na sigla em inglês). O DNS é o sistema que ajuda os navegadores a encontrar os sites ou outros computadores na rede. Cada site e computador tem um endereço de IP, e os servidores do DNS são responsáveis por “traduzir” esses IPs em nomescomo “www.olhardigital.com.br”.

Ameaça

A iniciativa teria sido discutida durante a reunião do Conselho de Segurança da Rússia em outubro – o principal órgão de segurança do país. Segundo os membros do conselho, era uma medida importante diante “das grandes capacidades de nações ocidentais de conduzir operações ofensivas no espaço informacional”. Essa capacidade, bem como “a grande disposição para exercer essas operações”, representariam “uma ameaça séria à segurança da Rússia”.

No entanto, o Defense One considera que a verdadeira motivação dessa iniciativa pode ser para permitir que a Rússia conduza seus próprios planos ofensivos. Afinal, se você tem uma rede paralela que seus aliados acessam, fica mais fácil hackear seus rivais. O site, sediado em Washington D.C., também opina que essa medida facilitaria para que ditaduras espionassem seus cidadãos.

Por outro lado, o porta-voz do parlamento russo Dmitri Peskov declarou na terça-feira que o plano russo tem o objetivo justamente oposto: de descentralizar a internet, que atualmente depende muito da infraestrutura estadunidense. “Todos nós sabemos quem é o administrador global da internet é. E por causa de sua volatilidade, nós temos que pensar em como garantir a nossa segurança nacional”, disse.

Planos em andamento

Trata-se de mais que apenas um plano, mas algo que a Rússia já vem testando há algum tempo. Segundo o RT, o país já tem uma infraestrutura própria relativamente robusta, e em 2014 realizou com sucesso um teste de “simular” o desligamento global da internet e usar sua própria estrutura para conduzir as operações no país.

Embora o país tenha já essa capacidade, Peskov disse que desligar-se totalmente da rede global está “obviamente fora de questão”. No entanto, ele também enfatizou que “recentemente uma grande parcela de imprevisibilidade está presente nas ações de nossos parceiros tanto nos Estados Unidos quanto na União Europeia, e nós precisamos estar preparados para qualquer reviravolta”.

 

Publicação: Redação Brasil (m)
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