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Que futuro nos aguardaTrata-se de equívoco suspender Segurança Presente

Boas iniciativas na administração pública merecem ser preservadas, para o bem dos cidadãos

Boas iniciativas na administração pública merecem ser preservadas, para o bem dos cidadãos. É o caso do Segurança Presente. Fruto de uma parceria entre a Federação do Comércio do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), o governo do estado e a prefeitura do Rio, o programa, iniciado em 2015, reforça o policiamento na Lagoa, no Aterro do Flamengo, no Centro — inclusive na recém-revitalizada Zona Portuária — e no Méier. Nas quatro regiões, existem hoje cerca de 900 agentes, em sua maioria policiais militares e egressos das Forças Armadas, que dispõem de carros, motos e bicicletas para percorrer as ruas atendidas pelo projeto. Trabalham uniformizados e são facilmente identificados pela população.

O sucesso inequívoco do projeto, no qual a Fecomércio investiu R$ 44 milhões nos últimos dois anos, é traduzido pelos números. Até sexta-feira, agentes do Segurança Presente haviam feito 6.045 prisões em flagrante e capturado 941 foragidos da Justiça. Na Lagoa, de junho a outubro do ano passado, não houve qualquer assalto a turista ou a ciclista. Fato significativo, considerando que a região havia se transformado numa zona franca de roubos. Não custa lembrar que, em abril de 2015, um atleta de remo do Flamengo foi esfaqueado durante um assalto, quando passava de bicicleta pela orla da Lagoa. Em maio daquele mesmo ano, o cardiologista Jaime Gold foi assassinado em condições semelhantes. Na mesma região, o número de roubos a pedestres caiu 34%, segundo os indicadores do Instituto de Segurança Pública (ISP).

Apesar dos resultados positivos e do apoio da população, o futuro do Segurança Presente está em risco, já que o financiamento da Fecomércio ao projeto pode ser suspenso. Uma auditoria feita pela entidade afirma que o convênio foge aos fins institucionais “por se tratar da destinação de recursos para a segurança pública do Rio e não à geração da empregabilidade por meio da educação profissional”. E mais. Diz que o programa reflete “a criação de um processo de milícia, por tratar-se de parceria entre uma instituição privada e um ente público, oficializando a criação de uma organização paramilitar”.

Nada mais equivocado. Os auditores desconhecem o que é uma milícia e de que forma ela atua — por exemplo, cobrando taxas sobre serviços essenciais em comunidades do Rio onde impera o poder paralelo. Milícia é ilegal. Não há qualquer paralelo com o Segurança Presente. O programa é um convênio firmado legalmente entre uma entidade privada, o governo fluminense e a prefeitura. Tudo às claras. Ademais, não se trata de organização paramilitar. Os agentes trabalham em conjunto com a polícia. A violência é uma chaga não só do Rio, mas de todo o país. Prejudica o cidadão, o turismo, o comércio, tudo. Ações bem-sucedidas para enfrentá-la devem ser incentivadas, não combatidas. E essa é uma tarefa que cabe não só aos governos, mas a todos.

Publicação: Redação Brasil (m)
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