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Para justificar indulto, Kuczynski chama de erros os crimes de Fujimori

O presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, chamou nessa segunda-feira (25) de “erros” os crimes contra a humanidade pelos quais foi condenado o ex-presidente Alberto Fujimori. Ele justificou assim o indulto que lhe concedeu neste Natal, o que livra Fujimori de cumprir a maior parte da pena de 25 anos de prisão.

Em mensagem à nação, pela TV,  Kuczynski afirmou que indultar Fujimori foi a decisão mais difícil da sua vida, mas que adotou a medida porque, aos 79 anos, ele já tinha cumprido perto da metade da pena e a sua saúde tinha se deteriorado.

“Trata-se da saúde e das possibilidades de vida de um ex-presidente do Peru que, tendo cometido excessos e erros graves, foi sentenciado e já cumpriu 12 anos de condenação”, argumentou Kuczynski.

“Estou convencido de que, quem se sente democrata, não deve permitir que Alberto Fujimori morra na prisão. A justiça não é vingança”, acrescentou.

Para Kuczynski, Fujimori “incorreu em transgressões significativas da lei, do respeito à democracia e aos direitos humanos quando, nos anos 90, assumiu a presidência de um país afundado em uma crise violenta e caótica”.

“Mas também acho que seu governo contribuiu para o progresso nacional”, disse Kuczynski sobre o período presidencial de Fujimori (1990-2000), que em 1992 protagonizou um ‘autogolpe’ de Estado e, posteriormente, fugiu do país para renunciar por fax, quando estava no Japão, após a descoberta de uma trama de corrupção em seu governo.

Kuczynski foi chamado de traidor por setores da sociedade que o apoiaram nas eleições presidenciais para evitar que chegasse à Presidência Keiko Fujimori, filha de Alberto Fujimori e indultasse o pai. Ele afirmou que sua função é ser o presidente de todos os peruanos e não só dos que votaram nele.

Kuczynski reiterou que o indulto se baseia “em razões humanitárias”, diante das suspeitas de que seja parte de um acordo político, depois que o Congresso rejeitou, na última semana, um pedido de impeachment, graças a um pequeno setor do fujimorismo.

O presidente peruano assinou o indulto três dias depois de evitar a destituição, com a abstenção de um grupo de dez fujimoristas liderados por Kenji Fujimori, filho mais novo de Alberto, que anteriormente tinha pedido de maneira aberta a Kuczynski para indultar seu pai.

O governante desejou que o indulto a Fujimori permita curar “feridas abertas, a partir de um esforço reconciliador e de uma vontade” por parte de todos para que o Peru comemore em 2021 um bicentenário da sua independência “fraterno, de paz e prosperidade”.

“Não nos deixemos levar pelo ódio. Não paralisemos nosso país. Passemos esta página e trabalhemos juntos para o nosso futuro”, afirmou Kuczynski.

Publicação: Redação Brasil (m)
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