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Os oceanos estão com febre’, diz pesquisador em novo estudo que prova o aquecimento das águas

Num dos lados de um pedaço de papel cuidadosamente preso a um cabo que a moça ostentava como se fosse bandeira, estava escrito: “FUI!” Assim mesmo, com letras maiúsculas e exclamação. No outro lado, com o mesmo esmero, estava escrito: “FORA DA ÁREA DE COBERTURA”. E assim a foliã seguia brincando seu carnaval, sozinha em meio à multidão.

Não, caros leitores, podem ficar sossegados que não vou tecer teorias sociológicas a respeito da farra anual, zombeteira, vinculante, que lava a alma de muita gente. Quando posso, eu mesma sigo pelas ruas como observadora e, sorte a minha, só o que vejo é leveza.

Não por acaso, talvez, depois de um ano tão pesado para todos os brasileiros, sobretudo os cariocas, por aqui a fantasia de rua que mais “pegou” foi a de bailarina. Saias de filó transparente de várias cores e maiôs também coloridos estão sendo vendidos em cada camelô de cada esquina dos locais onde há muita gente passando. O conjunto fica tão bonito que muitos homens decidiram adotar. Eles vestem rosa, elas vestem azul, e saem assim singularizados, felizes, nem ligam para as ordens autoritárias. Pelo menos até quarta-feira, o melhor é não pensar em nada que quebre esta magia.

Concordo.

Mas, para os que me seguem aqui neste espaço e querem aproveitar os dias de folga para obter mais informações sobre o ambiente que nos cerca, sigo cumprindo meu ofício. E lá vai uma notícia preocupante. (Porque, infelizmente, os arroubos da humanidade sobre a natureza deixa poucas chances de trazer boas notícias.) Mais uma pesquisa, publicada no site da Nature Climate Change, mostra que aumentou drasticamente o número de ondas de calor que estão afetando os oceanos, como se fossem incêndios no mar. Trata-se da primeira análise global sistemática das ondas de calor oceânicas, quando as temperaturas atingem extremos por cinco dias ou mais, segundo reportagem publicada no “The Guardian” pelo jornalista Damian Carrington.

No longo prazo, o número de dias de ondas de calor aumentou mais de 50% entre 1986 e 2016, em comparação com o período entre 1925 a 1954. Florestas de algas marinhas, tapetes de ervas daninhas e recifes de coral foram perdidos por causa do fenômeno, sobretudo na Califórnia e na região costeira da Austrália à Espanha.

“Há incêndios que devastam florestas inteiras produzidos pelas ondas de calor que se percebem nos continentes, mas é importante saber que o mesmo ocorre nos oceanos, debaixo d’água”, disse Dan Smale, da Associação de Biologia Marinha, em Plymouth, no Reino Unido, que liderou a pesquisa.

A questão é que, como as temperaturas já estão elevadas por causa do fenômeno El Niño, que aquece as águas do Pacífico, uma onda de calor, quando ataca, causa muito mais impacto. Alguns animais poderiam se safar, tentando buscar águas mais frias, mas o calor em excesso impede que eles façam isso. E isto, lembram os pesquisadores, pode provocar problemas socioeconômicos. Basta lembrar o que aconteceu em 2012, quando os estoques de lagostas baixaram, criando tensões entre Estados Unidos e Canadá.

A reportagem do “The Guardian” ouviu o professor Malin Pinsky, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, que não fez parte da equipe deste estudo, mas confirma o laudo:

“Esta pesquisa deixa claro que as ondas de calor estão atingindo o oceano em todo o mundo … Os oceanos estão com febre. Esses eventos provavelmente se tornarão mais extremos e mais comuns no futuro, a menos que possamos reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, disse ele.

Outro estudo, conduzido pela Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO), na Austrália, e publicado na semana passada, também comparou ondas de calor oceânicas a incêndios florestais. E mostrou que o aquecimento dos oceanos está reduzindo as capturas sustentáveis de peixes de 15 a 35% em diversas regiões, incluindo o Mar do Norte e o Mar da China. Esta constatação deixou os pesquisadores surpresos, segundo declarou uma delas, Éva Plagányi, à reportagem do jornal britânico.

Se ainda é possível reverter este problema? Sim, admitem todos os pesquisadores. Desde que a humanidade passe a encarar seriamente a necessidade de rever paradigmas de produção e consumo. Os cidadãos comuns têm, sim, uma parte importante no rumo desta prosa, mas o timão está mesmo é com os governos e com as empresas.

É bom, é mesmo saudável, ficar “fora da área de cobertura” em certas ocasiões. Até para repor as energias necessárias às mudanças que se precisa fazer. Bom carnaval a todos e todas!

Fonte G1

Publicação: Redação Brasil (m)

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