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Descaso. No maior hospital pA?blico do DF, falta atAi?? papel higiA?nico

Relatos de parentes e pessoas internadas reforAi??am percepAi??A?o dos servidores, que denunciam situaAi??A?o precA?ria no Hospital de Base do

Depois de servidores da saA?de questionarem a medida do GDF queAi??suspendeu o estado de emergA?ncia na rede pA?blicaAi??da capital e denunciarem falhas no abastecimento de diversos setores do Hospital de Base (HBDF), pacientes e parentes de pessoas internadas engrossaram o coro das crAi??ticas. NinguAi??m entende os critAi??rios usados pelo governo para dizer que a saA?de pA?blica da capital saiu da UTI. Segundo as reclamaAi??Ai??es, falta atAi?? papel higiA?nico.

MAi??dicos, enfermeiros e tAi??cnicos reclamam da falta de insumos bA?sicos, materiais para exames e problemas com telefones e internet. Quem se submete a tratamento na maior unidade do Distrito Federal precisa, muitas vezes, comprar materiais ou bancar exames em clAi??nicas particulares.

Ai?? o caso dos irmA?os Ludmila Ferreira, 35 anos, e Giordano Ferreira, 39. Eles estA?o com a mA?e internada hA? dois dias no HBDF, onde a mulher aguarda por um implante de marcapasso. ai???Ela tem problema de pressA?o e coraAi??A?o, mas estA? sem data oAi??procedimento. Tivemos que trazer todas as roupas de cama porque ela estava passando frio. TambAi??m trouxemos o remAi??dio porque aqui nA?o estava disponAi??velai???, disse Ludmila aoAi??MetrA?poles,Ai??na manhA? desta quarta-feira (26/7).

SituaAi??A?o semelhante foi enfrentada pela professora aposentada SA?nia Maria do Carmo Silva, 62 anos, portadora de varizes no estA?mago. ai???Os funcionA?rios fazem o que podem, mas aAi??situaAi??A?o Ai?? bastante precA?riaai???, comenta.Ai??HA? nove dias, ela foi ao hospital fazer um exame porque estava vomitando sangue e precisou ficar internada.

ai???Tivemos que trazer roupa de cama, aqui nA?o tem. AtAi?? o papel higiA?nico a minha famAi??lia pegou em casa. TambAi??m jA? aconteceu de nA?o ter reagente para o meu exame. DaAi??, nA?o tem o que fazer. O mAi??dico Ai?? quem tem que avaliar e tomar providA?ncias. No meu caso, tive que ser levada atAi?? o Hospital UniversitA?rio de BrasAi??lia (HUB)ai???, relata SA?nia Maria.

Na terAi??a (25), a dona de casa ElisA?ngela da Silva Oliveira, 37 anos, moradora do Sol Nascente, teve que se deslocar 34 quilA?metros para levar o pai, que estA? com um tumor no pA?nis, ao HBDF. ai???Ele veio para uma consulta e, como a doenAi??a estA? avanAi??ada, ficou internado. Agora, aguardamos a cirurgia.Ai??Ouvimos vA?rios relatos de pessoas que desistiram por estarem esperando para a realizaAi??A?o do procedimento hA? vA?rios diasai???, diz.

Sem exames de cultura
Um mAi??dico ouvido pela reportagem denunciou que, entre as inA?meras carA?ncias pelas quais passa o Hospital de Base, duas se destacam pela gravidade: a falta de antibiA?ticos e de insumos para realizaAi??A?o de exames de cultura ai??i?? que identificam micro-organismos presentes no corpo dos pacientes e tipificam enfermidades.

No caso dos exames de cultura, os materiais estariam em falta hA? cerca de dois anos. Em relaAi??A?o aos antibiA?ticos, a situaAi??A?o se arrasta hA? meses, segundo esse mesmo mAi??dico que pediu para nA?o ter o nome divulgado.

AlAi??m de faltar cultura para exames e antibiA?ticos, nA?o temos mais cateter para administrar os medicamentos. Assim, muitos pacientes vA?o morrer. Das pessoas internadas na UTI, 75% usam algum desses antibiA?ticos: meropenem, vancomycin ou teicoplanina. Outra importante substA?ncia, o imipenem, tambAi??m estA? em falta.

Relato de mAi??dico do HBDF

O profissional alerta que a ausA?ncia, principalmente, de meropenem e imipenem Ai?? grave. ai???Ambos combatem um grupo chamado de bactAi??rias gram negativas. SA?o as principais responsA?veis pelas infecAi??Ai??es hospitalares, e os carbapenA?micos (entre eles o meropenem e o imipenem) sA?o a A?ltima linha de tratamento para essas bactAi??rias, juntamente com a Polimixina Bai???, ressalta.

Alerta da OMS
O problema relacionado ao combate a micro-organismos Ai?? gravAi??ssimo na avaliaAi??A?o da OrganizaAi??A?o Mundial da SaA?de (OMS). Sem a possibilidade de identificar o tipo de bactAi??ria, fungo, protozoA?rio ou vAi??rus causador da doenAi??a, o tratamento fica comprometido. E sem antibiA?ticos adequados, o risco de contaminaAi??A?o cresce, uma vez que bactAi??rias podem se tornar cada vez mais resistentes caso nA?o sejam utilizados os remAi??dios certos.

ai???A resistA?ncia aos antibiA?ticos estA? crescendo, e estamos ficando sem opAi??Ai??es de tratamentoai???, afirma Marie-Paule Kieny, subdiretora-geral da OMS para Sistemas de SaA?de e InovaAi??A?o. O alerta foi feito em 27 de fevereiro passado, quando a organizaAi??A?oAi??publicou lista de bactAi??rias para as quais sA?o necessA?rios novos antibiA?ticos urgentemente.

DiagnA?stico complicado
Segundo outro mAi??dico residente ouvido peloAi??MetrA?poles, as carA?ncias no HBDF sA?o tantas que Ai?? difAi??cil elencar o setor mais problemA?tico. ai???Falta de tudo. NA?o tem como dizer o que Ai?? mais grave. Tem dia que Ai?? gaze, outro que Ai?? luva cirA?rgica, material para esterilizaAi??A?o, seringaai??i??ai???

Nesta semana, por exemplo, os problemas foram variados. Na segunda-feira (24/7), um vAi??rus de computadorAi??suspendeu a realizaAi??A?o de exames de raio X no HBDF.Ai??NaAi??terAi??a (25), nA?o haviaAi??cilindros de oxigA?nio para o transporte de pacientes que fazem hemodiA?lise. Nesta quarta (26), os relatos davam conta de mais aparelhos de exames quebrados.

Pai de uma paciente de 14 anos que tem cA?ncer no cAi??rebro, o motorista JoA?o Rosa de Jesus, 58 anos, relatou que nA?o havia aparelhos para radioterapia. ai???A minha filha estA? internada desde 28 de maio. O tratamento Ai?? muito importante para diminuir o tumor e curA?-la. Encaminharam ela para o HUB, mas ainda estamos esperando. Vamos tentar uma reclamaAi??A?o na ouvidoria do GDF para acelerar o processo. Ela Ai?? muito jovem e o estado de saA?de Ai?? graveai???, lamentou.

Outro lado
Por meio de nota, a Secretaria de SaA?de informou que dispAi??e de dois equipamentos para radioterapia instalados no Hospital de Base ai??i?? Cobalto e Acelerador Linear ai??i??, ambos em pleno funcionamento.

Ainda segundo a pasta, o Hospital UniversitA?rio de BrasAi??lia, que tem convA?nio com a SES, tambAi??m dispAi??e de um aparelho de radioterapia e tem absorvido parte da demanda da rede pA?blica do DF. ai???Na semana passada, o HUB recebeu mais um acelerador linear, o que ajudarA? a desafogar a fila de espera pelo tratamentoai???, diz a nota.

Com relaAi??A?o ao enxoval disponibilizado para pacientes e servidores, a direAi??A?o da unidade informa que o estoque Ai?? baixo. ai???No entanto, hA? processo de compra para reabastecimento de todas as unidades de saA?deai???, disse a pasta.

Questionada sobre os exames de cultura, a Secretaria de SaA?de confirmou que estA?o em falta na unidade, mas nA?o disse hA? quanto tempo. ai???Um processo de compra regular para abastecer toda a rede estA? em andamentoai???, informou.

Ainda segundo a pasta, hA? vA?rios antibiA?ticos disponAi??veis e atualmente hA? um processo de compra em curso. ai???Os medicamentos meropenem e imipenem jA? foram comprados e a SESAi??aguarda o recebimento para abastecer os estoques das farmA?cias da rede pA?blica. O vancomycin estA? em fase de aquisiAi??A?o por meio de processo emergencial. O teicoplanina tambAi??m estA? sendo comprado por meio de processo regular para abastecer toda a redeai???, informou o A?rgA?o.

O estado de emergA?ncia
Durante o estado de emergA?ncia, que durou de 19 de janeiro de 2015 a 15 de julho deste ano, o GDF pA?de comprar materiais e medicamentos sem licitaAi??A?o, contratar serviAi??os sem concorrA?ncia, pagar horas extras e prorrogar contratos temporA?rios de terceirizados. Segundo os servidores do HBDF, realmente houve admissA?o de novos profissionais, mas problemas na alocaAi??A?o dos funcionA?rios teriam impedido a melhoria dos serviAi??os.

Em vez de enviar os contratados para as A?reas de risco, os gestores os usaram para reabrir A?reas que estavam fechadas. Assim, nA?o houve real melhoria e o sistema continuou crAi??tico.

MAi??dico do Hospital de Base do DF

A percepAi??A?o de que o estado de emergA?ncia nA?o teve efeito tambAi??m Ai?? defendida por sindicalistas, que estA?o em pAi?? de guerra com o GDF. ai???A situaAi??A?o nA?o melhorou em relaAi??A?o aos A?ltimos anos. Na verdade, piorouai???, afirma o presidente do Sindicato dos MAi??dicos do DF (SindmAi??dico-DF), Gutemberg Fialho. De acordo com o dirigente, o governo nA?o soube gerir as unidades de saA?de da capital noAi??perAi??odo de emergA?ncia.

Para Fialho, ai???a expectativa Ai?? de que os indicadores continuem piorandoAi??e que a populaAi??A?o continue morrendo sem assistA?ncia, poisAi??ainda faltam insumos, antibiA?ticos e manutenAi??A?o de equipamentosai???.

JA? a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de ServiAi??os de SaA?de de BrasAi??lia (SindsaA?de), Marli Rodrigues, teme uma possAi??vel piora do sistema pA?blico apA?s o fim do estado de emergA?ncia. ai???Se jA? estava difAi??cil antes, agora deve ficar ainda mais complicado. Eu nA?o sei qual a intenAi??A?o deles em retirar a medida, mas a Secretaria de SaA?deAi??nA?o tem um planejamento, um projeto real para atender aAi??populaAi??A?o do DFai???, reclama a sindicalista.

Instituto
O debate sobre a situaAi??A?o da maior unidade de saA?de do DF neste perAi??odoAi??pA?s-estado de emergA?nciaAi??ocorreu um mA?s apA?s a CA?mara Legislativa aprovar um projeto de lei que mudarA? a instituiAi??A?o. Em 20 de junho, os distritais votaram a proposta que transforma o Hospital de Base em instituto.

De um lado, o GDF argumenta que a medida trarA? mais autonomia ao HBDF e permitirA? o aprimoramento daAi??gestA?o hospitalar. Do outro, entidades sindicais veem uma manobra para forAi??ar a terceirizaAi??A?o da saA?de pA?blica local. OAi??caso foi parar na JustiAi??a, que ainda nA?o se posicionou sobre o tema.

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Publicação: Redação Brasil (m)

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