Home » Colunistas » Pintor Di Cavalcanti ganha edição esmeralda

Pintor Di Cavalcanti ganha edição esmeralda

“Eu sinto que, dentro de mim, há um poeta e um pintor. Não consigo sentir as coisas, todas as coisas, senão através de instantes de poesia”, escreveu o pintor Di Cavalcanti (1897-1976). Ele conferiu dignidade à beleza das mulheres brasileiras mestiças, da vida suburbana, das rodas de samba, das cenas cotidianas e da vida boêmia do Rio de Janeiro. Com as lentes do lirismo,  produziu freneticamente até morrer e constituiu um acervo de 9 mil obras. A última edição de livro sobre Di foi publicada na década de 1980, mas, agora, o pintor ganha uma edição esmerada, com o volume Di: O conquistador do lirismo (Ed. Capivara), organizado pela crítica Denise Mattar e pela filha do pintor, Elisabeth Di Cavalcanti.

Com reproduções de alta qualidade, o livro abrange o período de 1925 a 1945, em que o artista forja um estilo e um olhar de exploração da brasilidade: “Sua obra, sem par na produção dos modernistas, tem, de fato, o cheiro, o sabor e a cor do Brasil”, escreve Denise Mattar.

O livro funciona quase como uma retrospectiva desse período crucial de 24 anos de trabalho, com 189 obras. É resultado de mais de 13 anos de pesquisa de Elisabeth, que trabalha arduamente para constituir o Instituto Di Cavalcanti. A ideia da Semana de Arte Moderna de 1922 partiu de Di: “Muito antes de Mário de Andrade, Di tinha consciência do que é ser brasileiro e tinha, paralelamente, a pretensão de se liberar dos cânones então vigentes”, escreve Elisabeth.

Além disso, o livro resgata uma preciosa fortuna crítica, composta por textos raros, que constituem uma verdadeira aula de modernismo brasileiro. Entre outros, figuram Mario de Andrade, José Lins do Rego, Maria Pedrosa, Murilo Mendes e Ronald de Carvalho. O período de 1925 a 1949 é o de descoberta da realidade suburbana carioca, logo depois de viver algum tempo em Paris, ressalta Denise.

Publicação: Redação Brasil (m)
Tags

Login

Perdeu sua senha?