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Apesar da onda de violA?ncia, Congresso Nacional prioriza outros temas

Mesmo com os altos Ai??ndices de assassinatos no paAi??s e diante de um cenA?rio de total descontrole, o Congresso tem priorizado outros temas. Agora, em ano eleitoral, a promessa Ai?? de aprovaAi??A?o de projetos que facilitem a destinaAi??A?o de verbas para o setor.

Enquanto balas disparadas por traficantes cruzavam os cAi??us das favelas do Rio de Janeiro e massacres aconteciam dentro de penitenciA?rias do paAi??s, deputados e senadores votavam projetos bem distantes da soluAi??A?o do problema ai??i?? a maior parte das leis aprovadas no ano passado se refere a honrarias. A violA?ncia urbana avanAi??a a cada dia pelas unidades da FederaAi??A?o e o Congresso apresenta dificuldades em lidar com o tema. Agora, em ano eleitoral, o assunto volta Ai?? tona no Legislativo, que promete prioridade. E o que nA?o falta Ai?? incentivo. Por meio de um cruzamento de dados a partir de uma sAi??rie de relatA?rios produzidos pelo Tribunal de Contas da UniA?o (TCU), o Correio confirma o que especialistas afirmam hA? anos: a seguranAi??a pA?blica estA? fora de controle.
FacAi??Ai??es criminosas ampliam a influA?ncia, como Ai?? o caso do Primeiro Comando Capital (PCC), que jA? conta com 20 mil integrantes, enquanto o investimento em seguranAi??a definha. Uma das principais falhas estA? na proteAi??A?o da juventude. Levantamento do TCU, com dados da Secretaria Nacional de SeguranAi??a PA?blica (Senasp), aponta um aumento de 326,1% da taxa de homicAi??dios de jovens, entre 1980 e 2011. O envolvimento com gangues e com o trA?fico de drogas Ai?? o principal motivo do aumento. Outros temas tambAi??m estA?o diretamente ligados ao aumento da violA?ncia, entre eles, a facilitaAi??A?o do acesso Ai??s armas de fogo, o acA?mulo de vulnerabilidades sociais e a ausA?ncia do Estado nas cidades. A morte de milhares de pessoas por ano no Brasil ai??i?? a maioria homens, jovens e negros ai??i?? causa impacto econA?mico que representa perdas equivalentes a 6,1% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o TCU.
Segundo informaAi??Ai??es do FA?rum Brasileiro de SeguranAi??a PA?blica (FBSP), 50 milhAi??es de brasileiros, um quarto da populaAi??A?o, sA?o atingidos diretamente pela violA?ncia. A abragA?ncia do tema mostra a forAi??a que o assunto tem no debate social e o peso na hora de determinar o voto dos eleitores. O professor Eurico Figueiredo, diretor de nA?cleo de estudos de ciA?ncia polAi??tica da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca que a violA?ncia atinge todas as classes, o que eleva a demanda da sociedade por uma soluAi??A?o polAi??tica. ai???NA?o tenho dA?vidas de que esse serA? um dos temas mais importantes da campanha. A situaAi??A?o da seguranAi??a pA?blica no Brasil chega ao limite da tolerA?ncia. Ai?? um tema que atinge tanto as camadas mais pobres da sociedade quanto as mais ricasai???, ressalta.
Dados do aplicativo SigaLei mostram que o Congresso Nacional aprovou, no ano passado, 172 projetos que se transformaram em lei. As propostas se dividem em 37 temas e o que Ai?? mais contemplado, com 19 propostas, se refere a honrarias feitas a pessoas e cidades. Ai?? o caso da lei 13.584, que transformou a cidade de Castro, no ParanA?, na capital do leite. Ou da lei 13.537, que conferiu Ai?? Terra Rocha, tambAi??m no ParanA?, o tAi??tulo de capital da moda bebA?.
O professor destaca que o combate Ai?? violA?ncia nA?o pode ocorrer sem o envolvimento dos representantes do povo. ai???A soluAi??A?o passa por mudanAi??as sociais. As comunidades mais pobres devem ter acesso aos serviAi??os da classe mAi??dia. Esgoto, transporte decente, saA?de, educaAi??A?o. Os polAi??ticos tA?m competA?ncia para aprovar bons projetos nesse setor, pois sA?o capazes de legislar em causa prA?pria. O que eles nA?o tA?m Ai?? vontadeai???, critica Figueiredo.
Agenda
Para especialistas em seguranAi??a pA?blica, um dos principais problemas Ai?? a falta de integraAi??A?o entre os diversos A?rgA?os, como as policiais Civil e Militar, o MinistAi??rio da JustiAi??a, a PolAi??cia Federal e o Poder JudiciA?rio. AlAi??m de dificultar o levantamento de dados que podem nortear polAi??ticas pA?blicas, o descompasso impede uma aAi??A?o permanente de combate Ai?? violA?ncia. O Plano Nacional de SeguranAi??a PA?blica tem a intenAi??A?o de suprir essa demanda, mas, reapresentado em janeiro do ano passado, ainda nA?o saiu do papel. Procurado pela reportagem, o MinistAi??rio da JustiAi??a nA?o se pronunciou sobre os motivos de o plano estar empacado.
Essa integraAi??A?o Ai?? uma das promessas para o ano feitas pelo presidente do Senado, EunAi??cio Oliveira (MDB-CE), na abertura dos trabalhos legislativos. A intenAi??A?o do emedebista Ai?? desengavetar propostas que jA? deveriam estar aprovadas, entre elas, a que instala bloqueadores de celulares em presAi??dios ai??i?? texto aprovado por unanimidade na semana passada. Para a prA?xima terAi??a-feira, dia 20, estA? na pauta do plenA?rio a Proposta de Emenda Ai?? ConstituiAi??A?o (PEC) 118/2011 que impede o bloqueio de recursos orAi??amentA?rios destinados aos fundos de seguranAi??a.

Uma das propostas na fila Ai?? a PEC que cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da SeguranAi??a PA?blica, do senador JoA?o Capiberibe (PSB-AP). O autor da proposta destaca que a falta de recursos Ai?? um dos entraves para aAi??Ai??es permanentes para o setor. ai???O descaso com a seguranAi??a hoje Ai?? tA?o grande que nem a UniA?o tem dados sobre a violA?ncia. Ai?? necessA?rio manter um orAi??amento fixo para garantir uma polAi??tica continuada de seguranAi??a. Sei que esse tema deve nortear as eleiAi??Ai??es, e Ai?? a hora de fazer a diferenAi??aai???, afirma Capiberibe. Apesar do momento, o senador se diz pessimista. ai???Os A?ltimos governantes prometeram uma coisa e fizeram outra.ai???

     

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    Publicação: Redação Brasil (m)

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