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A eleição que passou pelo WhatsApp

O protagonismo do WhatsApp já havia ocorrido fortemente nos pleitos nacionais mexicanos e colombianos. E se repetiu aqui.

O resultado do candidato Jair Bolsonaro enterrou a discussão sobre a propaganda de TV ser a principal engrenagem de uma campanha presidencial. Bolsonaro não somente quase ganhou no primeiro turno com um desprezível tempo de TV, como capitaneou uma onda que puxou candidatos a governos estaduais, senado e assembléias. Todos impulsionados com menos tempo de TV e mais grupos de WhatsApp.

As evidencias estavam dadas. O acesso a smartphones no Brasil explodiu nos últimos quatro anos (a FGV aponta para 200 milhões). As pessoas passaram a olhar os celulares em média 30 vezes por dia para acessar a internet (dados do Facebook). Com isso o número de WhatsApp ativos (pessoas que tem o aplicativo baixado) triplicou no mesmo período (estimativas indicam para 100 milhões de WhatsApps ativos atualmente).

Além disso, criou-se a abertura de criação e multiplicação de grupos de WhatsApp (algo inexistente em 2014). Tal evento explodiu a possiblidade de compartilhamento e discussão de conteúdo político nessa plataforma Essas possibilidades abriram alas para uma nova dinâmica de mobilização social. Exponencial e de baixos recursos.

O protagonismo do WhatsApp já havia ocorrido fortemente nos pleitos nacionais mexicanos e colombianos. Isso simplesmente se repetiu no Brasil. No México, o WhatsApp ajudou os partidários de Lopéz Obrador a vencer a máquina do PRI e do PAN no Congresso também.

E foi uma onda silenciosa para o grande público. Enquanto os seguidores de Bolsonaro cresciam, propagavam conteúdo e defendiam vários candidatos a todos os cargos, com uma enxurrada diária de conteúdo espontâneo (positivo, negativo e fake news), a imprensa e os analistas políticos super estimavam a propaganda de TV.

Acrescido ao fato que número de “likes” em outros redes sociais (muitas vezes impulsionadas financeiramente sem nenhuma inteligencia) distraíam os especialistas em “digital” e as análises de monitoramento. Tudo isso distanciava as análises do mundo real que hoje é digital e mobile.

Não há dúvida que ainda vamos estudar muito o que se passou ontem mas algo é certo: a verdadeira máquina política de 2018 cabe na palma da mão e passou pelo WhatsApp.

Mauricio Moura, pesquisador da Universidade George Washington e Fundador do IDEIA Big Data 

Fonte: Portal Veja

 

Publicação: Redação Brasil (m)

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